A Lua será atingida nesta quarta-feira (5) por um estágio de foguete da SpaceX, empresa de Elon Musk, em uma colisão prevista para as 8h58 (horário de Brasília). O impacto, embora não represente risco ao satélite natural, deve abrir uma cratera de até 20 metros de diâmetro, segundo cálculos de astrônomos.
O que vai acontecer e por quê
O objeto é o estágio superior do foguete Falcon 9, lançado em fevereiro de 2015 para colocar em órbita o satélite de observação climática DSCOVR, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). Após cumprir sua missão, o estágio ficou vagando no espaço, sem controle, e agora sua trajetória o levará a colidir com a face oculta da Lua, que não está voltada para a Terra.
O fenômeno ocorrerá por volta das 8h58 (de Brasília), quando o foguete viaja a uma velocidade de aproximadamente 9.300 km/h. A colisão não será visível da Terra, pois ocorrerá no lado não iluminado do satélite, e não há risco de danos significativos, já que a Lua não possui atmosfera e o impacto é considerado pequeno em escala cósmica.
Especialistas acompanham o evento
O astrônomo Bill Gray, do projeto Pluto, foi o primeiro a prever a colisão, em janeiro, após analisar dados de rastreamento. Inicialmente, ele atribuiu o objeto a um estágio do foguete chinês Longa Marcha 3C, mas depois corrigiu a identificação, confirmando que se tratava do Falcon 9 da SpaceX. "A confirmação veio de observações recentes que mostraram a assinatura espectral do objeto, compatível com o estágio do Falcon 9", explicou Gray.
Gray também destacou que a colisão é uma oportunidade para estudar a superfície lunar. "O impacto vai escavar material que pode ser analisado por sondas em órbita, como o Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA", afirmou.
Impacto e consequências
A colisão deve abrir uma cratera de 10 a 20 metros de diâmetro, segundo estimativas de especialistas. Apesar do tamanho, o evento não representa ameaça à Lua ou à Terra, mas levanta questões sobre o acúmulo de lixo espacial. "É mais um exemplo de como precisamos de políticas para mitigar detritos espaciais", disse a especialista em lixo espacial, Alice Gorman, da Universidade Flinders, na Austrália.
O estágio do Falcon 9 foi usado para lançar o DSCOVR, que monitora o vento solar e a atividade geomagnética. Após a separação, o estágio ficou em uma órbita caótica, influenciada pela gravidade da Terra, do Sol e da Lua, até que a trajetória atual o levou a colidir com o satélite.
Observação e monitoramento
Embora o impacto não seja visível a olho nu, astrônomos e agências espaciais acompanharão o evento com telescópios e sondas. A NASA, por meio do Lunar Reconnaissance Orbiter, poderá fotografar a nova cratera em passagens futuras. "Será interessante ver a diferença antes e depois", comentou Gray.
Este é um caso raro de colisão natural de lixo espacial com a Lua, mas não é o primeiro. Em 2009, a NASA propositalmente colidiu uma sonda com a Lua para estudar a presença de água. Agora, a colisão acidental do Falcon 9 pode fornecer dados semelhantes, sem custo adicional.
Para o público, o evento serve como um lembrete do crescente problema do lixo espacial. Estima-se que existam mais de 27 mil objetos rastreados em órbita da Terra, mas apenas uma fração é monitorada. "Precisamos de mais responsabilidade no descarte de estágios de foguetes", defendeu Gorman.
O impacto ocorre em um momento em que a exploração lunar volta a ser prioridade, com missões como o programa Artemis, da NASA, que pretende levar humanos à Lua novamente. A colisão pode até ajudar a ciência, revelando camadas mais profundas do solo lunar.
Enquanto isso, a SpaceX não comentou oficialmente o incidente, mas Elon Musk já havia ironizado a situação em suas redes sociais. "Bem, pelo menos não vai doer", escreveu ele, em referência ao impacto.
Para os interessados em acompanhar ao vivo, a colisão não será transmitida, mas os dados de rastreamento estão disponíveis em plataformas como o projeto Pluto. A expectativa é que, nos próximos dias, imagens da cratera sejam divulgadas pelos orbitadores lunares.
A colisão desta quarta-feira reforça a necessidade de acordos internacionais para o gerenciamento de detritos espaciais, especialmente com o aumento de lançamentos comerciais. "Cada missão deve prever o descarte seguro de seus estágios", concluiu Gorman.



