O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, demitiu o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, em meio a um escândalo de corrupção que já dura meses. A decisão, anunciada no domingo (16), gerou uma crise política no governo, com parlamentares e analistas criticando a medida e apontando riscos para a continuidade da guerra contra a Rússia.
Motivos da demissão
Reznikov foi afastado após denúncias de que o Ministério da Defesa teria comprado alimentos para as tropas a preços inflacionados. A imprensa ucraniana revelou que contratos de alimentação militar foram superfaturados em até 30%. Em comunicado, Zelensky afirmou que a demissão era necessária para "restaurar a confiança" no ministério, mas não citou diretamente as acusações.
"Precisamos de novas abordagens e de uma nova liderança no Ministério da Defesa para fortalecer nossa capacidade de defesa", declarou Zelensky em seu discurso noturno. O presidente indicou Rustem Umerov, ex-ministro das Indústrias Estratégicas, para substituir Reznikov.
Reações e crise política
A demissão provocou reações imediatas no parlamento ucraniano. Deputados da oposição acusaram Zelensky de tentar desviar a atenção de problemas mais graves na guerra. "Demitir o ministro da Defesa em meio a uma contraofensiva é um erro. Isso enfraquece nossa posição no front", disse o deputado Iryna Gerashchenko, do partido Solidariedade Europeia.
Especialistas apontam que a crise pode atrasar a entrega de ajuda militar ocidental. "A Ucrânia precisa mostrar que é um parceiro confiável. Escândalos de corrupção no Ministério da Defesa podem minar a confiança de doadores como os Estados Unidos e a União Europeia", afirmou o analista político Mykola Bielieskov, do Instituto de Estudos Estratégicos de Kiev.
Impacto na guerra
A guerra com a Rússia continua, e a Ucrânia enfrenta uma contraofensiva lenta. A demissão de Reznikov ocorre em um momento crítico, com as forças ucranianas tentando avançar no sul e no leste do país. O novo ministro, Rustem Umerov, terá que lidar com a logística militar e a distribuição de armas ocidentais.
"A transição no Ministério da Defesa não pode parar o fornecimento de munições e equipamentos para as tropas. Cada dia de atraso custa vidas", alertou o general Valerii Zaluzhnyi, comandante das Forças Armadas ucranianas, em comunicado interno vazado à imprensa.
Antecedentes
Oleksii Reznikov estava no cargo desde novembro de 2021 e era visto como um dos principais articuladores da ajuda militar ocidental. No entanto, sua gestão foi marcada por denúncias de corrupção em contratos de compras militares. Em janeiro, um escândalo envolvendo a compra de capacetes e coletes à prova de balas a preços superfaturados já havia abalado sua credibilidade.
Zelensky, que fez do combate à corrupção uma bandeira política, enfrenta pressão para mostrar resultados. A demissão de Reznikov é a mais alta baixa no governo desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.



