Quando o árbitro esloveno Slavko Vincic apitou o fim da decisão entre Argentina e Espanha, neste domingo, em Nova Jersey, ele deu início a um novo ciclo: o que leva para a Copa do Mundo de 2030, que será disputada 100 anos após a primeira edição do torneio. Depois do torneio de 2026 disputado em três países – Canadá, Estados Unidos e México –, o próximo Mundial será ainda maior: jogos serão realizados em seis nações de três continentes diferentes.
Acordo político entre continentes
Espanha, Marrocos e Portugal concentram a maior parte dos confrontos, mas, para celebrar o centenário da Copa do Mundo, as três primeiras partidas serão disputadas na América do Sul, no Uruguai (que sediou o torneio de 1930), na Argentina e no Paraguai. Foi um acordo político: a Conmebol queria receber a competição, mas aceitou os jogos comemorativos quando a campanha de Espanha, Marrocos e Portugal se mostrou favorita.
No ano passado, porém, a confederação sul-americana apresentou um projeto para que a Copa de 2030, e só ela, seja ampliada para 64 seleções – sob o argumento de que é preciso abrir a porta do torneio centenário para mais países. A intenção é que as três sedes locais recebam um grupo da competição cada, em vez de apenas uma partida como é a previsão no torneio de 48 seleções. Assim, se a medida for aprovada, 18 partidas seriam disputadas na região.
Projeto de 64 seleções enfrenta resistência
Por enquanto, o projeto não atraiu apoiadores fora da Conmebol, ao menos publicamente. Mas o sucesso da Copa na América do Norte, com 48 equipes, e a possibilidade de receitas ainda maiores com 16 times a mais podem mudar o cenário. Durante o torneio que terminou neste domingo, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou, em entrevista, que a proposta seria analisada. Após a repercussão da declaração, a entidade esclareceu que a ideia foi apresentada por “um membro do Conselho” e que a Fifa tem “o dever de analisar qualquer proposta de um de seus membros do Conselho.”
Cidades e estádios candidatos
As sedes ainda não foram definidas e dependem de uma série de avaliações feitas pela Fifa, mas o projeto da candidatura principal inclui 11 estádios na Espanha, seis no Marrocos e três em Portugal. Na Espanha, as cidades são Madri (Santiago Bernabéu e Metropolitano), Barcelona (Camp Nou e RCDE Stadium), Sevilha, Málaga, Bilbao, San Sebastián, La Coruña, Zaragoza e Las Palmas. No Marrocos, estão previstos jogos em Casablanca, Agadir, Fés, Marrakesh, Rabat e Tânger. Em Portugal, as partidas serão em Lisboa (Estádio da Luz e José Alvalade) e no Porto (Estádio do Dragão).
As partidas de celebração do centenário da Copa, na América do Sul, serão disputadas em Montevidéu (Estádio Centenário), Buenos Aires (Monumental de Nuñez) e Assunção (Arena Osvaldo Domínguez Dibb, projeto de novo estádio do Olimpia). Esses duelos comemorativos na América do Sul estão previstos para acontecer nos dias 8 e 9 de junho de 2030. Os primeiros jogos na Espanha, Marrocos e Portugal ocorrerão nos dias 13 e 14, quando serão realizadas cerimônias de abertura. A final está marcada para 21 de julho.
Final: Bernabéu ou Estádio Hassan II?
A Fifa ainda não escolheu qual estádio receberá a final da Copa do Mundo de 2030, mas há dois favoritos. O Santiago Bernabéu, recentemente reformado, é a aposta espanhola para que o campeão seja conhecido no país, mas o Marrocos também tem um forte candidato. A proposta marroquina é fazer a final em Casablanca, no Grand Stade Hassan II, um colosso para 115 mil pessoas que está sendo construído para o torneio. A Fifa não estipula prazo para que a escolha seja feita, mas há fatores políticos que podem pesar na decisão.
Membros da Uefa, a confederação europeia, têm se movimentado em oposição a Infantino. Por outro lado, a CAF (Confederação Africana de Futebol) já declarou apoio à reeleição do atual presidente da Fifa – assim como a Conmebol e a AFC (Confederação Asiática de Futebol). Infantino já anunciou que será candidato a um terceiro e último mandato – o pleito será no ano que vem, no Congresso da Fifa marcado para Rabat, no Marrocos. A decisão cabe ao Conselho da Fifa, um órgão formado por 37 dirigentes comandado por Infantino.
Eliminatórias sul-americanas em xeque
Por serem sedes dos jogos comemorativos dos 100 anos da Copa do Mundo, Argentina, Paraguai e Uruguai já têm suas vagas reservadas para o torneio – assim como, claro, Espanha, Marrocos e Portugal. Por isso, a Conmebol avalia qual será o formato das próximas eliminatórias sul-americanas. Atualmente, com 48 seleções no Mundial, os sul-americanos têm direito a 6,5 vagas – seis diretas e uma para a repescagem. Para 2030, portanto, haveria três vagas diretas em disputa, além da repescagem, para apenas sete seleções, já que Argentina, Uruguai e Paraguai estão garantidos. É um número que pode afastar o interesse no sistema atual da classificatória.
Mas a Conmebol busca soluções para não alterar a forma de disputa. Isso porque as confederações locais são defensoras das eliminatórias com 18 jogos – todos contra todos, com partidas de ida e volta, em pontos corridos –, já que o torneio é uma das principais fontes de renda dessas entidades. Diminuir o número de confrontos impactaria nos bolsos. Uma ideia é que o formato seja mantido, com participação de Argentina, Paraguai e Uruguai. Assim, haveria distribuição de prêmios em dinheiro e a disputa de uma taça – algo como uma Liga das Nações sul-americana – para manter a atratividade da competição.



