A economia da China registrou no segundo trimestre de 2026 um dos menores crescimentos trimestrais desde o início dos anos 1990, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 1,3% em relação ao trimestre anterior, abaixo das expectativas do mercado, que previam alta de 1,5%.
Desempenho abaixo do esperado
O resultado representa uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre de 2026, quando o PIB havia crescido 1,6%. Na comparação anual, a economia chinesa expandiu 5,2% no segundo trimestre, também ligeiramente abaixo da meta oficial de cerca de 5,5% para o ano. O dado anual foi influenciado pela base baixa de comparação do ano anterior, quando a economia ainda se recuperava dos efeitos da pandemia.
Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China, o crescimento trimestral de 1,3% é um dos mais fracos desde o início da década de 1990, quando o país passava por um período de reformas econômicas e ajustes. Apenas em alguns trimestres de 2022, durante os lockdowns severos da política de Covid zero, o crescimento foi inferior.
Crise imobiliária e demanda doméstica pesam
O fraco desempenho reflete os efeitos persistentes da crise no setor imobiliário, que continua a pesar sobre o investimento e o consumo das famílias. As vendas de imóveis caíram 7% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2025, enquanto os preços médios recuaram 3%. O setor de construção civil, que responde por cerca de 25% do PIB, encolheu 0,8% no trimestre.
A demanda doméstica também mostrou sinais de fragilidade. As vendas no varejo cresceram apenas 3,5% em junho ante o mesmo mês do ano anterior, abaixo da previsão de 4,2%. O desemprego juvenil, que atingiu 18,3% em junho, continua sendo um desafio estrutural, limitando o consumo entre os jovens.
Exportações sustentam, mas risco global aumenta
As exportações chinesas cresceram 8,7% no segundo trimestre em relação ao ano anterior, impulsionadas por vendas de veículos elétricos e baterias. No entanto, analistas alertam que o aumento de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos e da União Europeia pode prejudicar o comércio nos próximos meses. "A economia chinesa enfrenta ventos contrários significativos no segundo semestre, com a desaceleração global e as tensões comerciais", afirmou Li Qiang, economista-chefe do Banco de Desenvolvimento da China.
O governo chinês já anunciou medidas de estímulo, incluindo cortes de juros e aumento de gastos em infraestrutura, mas o impacto pode levar tempo para se materializar. "Precisamos de políticas mais ousadas para estabilizar as expectativas e impulsionar a demanda interna", disse Zhang Ming, professor de economia da Universidade de Pequim.
Perspectivas para o restante do ano
A meta oficial de crescimento de cerca de 5,5% para 2026 parece cada vez mais desafiadora. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta expansão de 5,0% para a China este ano, abaixo da meta governamental. Para o terceiro trimestre, as previsões indicam um crescimento trimestral de 1,2% a 1,4%, mantendo o ritmo moderado.
O Banco Central chinês deve manter uma política monetária acomodatícia, com possibilidade de novos cortes na taxa de juros de referência. O governo também estuda expandir o programa de subsídios para compra de veículos e eletrodomésticos, na tentativa de estimular o consumo das famílias.



