A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira (15) que até 45% dos riscos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados por meio da modificação de fatores como tabagismo, poluição atmosférica e isolamento social. A demência é a sétima causa principal de morte no mundo e uma das principais causas de incapacidade e dependência entre idosos.
Fatores modificáveis e impacto global
Em comunicado, a OMS destacou que, embora não haja cura para a demência, quase metade dos riscos está associada a fatores modificáveis, incluindo consumo de tabaco e álcool, inatividade física, poluição do ar e doenças não transmissíveis como hipertensão e diabetes. Atualmente, mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência globalmente, e cerca de 10 milhões de novos casos são diagnosticados a cada ano. O mal de Alzheimer, a forma mais comum, representa entre 60% e 70% dos casos.
Diretrizes atualizadas e prevenção
Devora Kestel, diretora do departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OMS, escreveu no prólogo das diretrizes atualizadas: "Não se trata de um problema distante; afeta a todos nós". A agência da ONU publicou suas primeiras recomendações sobre demência em 2019, mas a base de evidências se ampliou desde então. A OMS reforçou que a demência não é uma consequência inevitável do envelhecimento, embora seja mais comum após os 65 anos.
Recomendações e custos econômicos
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou: "Hoje sabemos mais do que nunca sobre os fatores que influenciam o risco de demência, e estas diretrizes traduzem esse conhecimento em medidas concretas". As recomendações incluem controle de condições médicas (hipertensão, diabetes, colesterol), redução da exposição a fatores ambientais, estimulação cognitiva e treinamento para adultos com comprometimento cognitivo leve. A OMS estima que a demência custa à economia mundial 1,3 trilhão de dólares por ano (cerca de 6,5 trilhões de reais), dos quais aproximadamente metade corresponde a cuidados não remunerados prestados por familiares e amigos. "Compreender os fatores de risco e tomar medidas para prevenir a demência pode melhorar a saúde e a qualidade de vida", concluiu o diretor-geral.



