A Câmara Municipal de Santana do Livramento, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, abriu uma comissão processante para investigar a vereadora Eva Coelho (PL), que admitiu ter agredido a própria cadela com uma vassoura. Por 15 votos a 1, os parlamentares aceitaram a denúncia apresentada por uma protetora de animais na sessão de segunda-feira (13). A comissão, composta por três vereadores, avaliará se houve infração político-administrativa ou quebra de decoro parlamentar, podendo decidir pelo arquivamento ou envio ao plenário para possível cassação do mandato.
Vídeo viralizou com relato de agressão
A repercussão começou após viralizar um trecho de uma transmissão ao vivo realizada nas redes sociais da vereadora no dia 29 de junho. No vídeo, Eva Coelho relata ter agredido a própria cadela, chamada Maristela, durante uma briga entre cães. "Eu peguei a vassoura e grudei na cabeça da Maristela, mas grudei sem pena", disse a vereadora. Ela afirmou ainda que a batida foi tão forte que o animal começou a convulsionar e que não prestou socorro: "Vai convulsionar até... porque eu não vou mexer um dedo. Um dedo. Tem água ali, a melhor ração, tem cama. Não presta pra nada."
Defesa alega abalo emocional
Em nota, a defesa de Eva Coelho afirmou que as declarações ocorreram em um estado de nervosismo e intenso abalo emocional. Segundo os advogados, o irmão da vereadora, que é pessoa com deficiência, estava em situação de risco durante a briga dos cães, o que exigiu uma intervenção imediata. A defesa também informou que a parlamentar disse estar arrependida pelas palavras usadas durante a transmissão ao vivo.
"As expressões utilizadas por Eva Coelho durante a transmissão foram proferidas em um momento de extrema tensão emocional, quando buscava relatar uma situação excepcional vivenciada em sua residência", diz a nota. A defesa destaca que a própria Eva já manifestou arrependimento e que, por orientação jurídica, não concederá entrevistas sobre o caso.
Indiciamento pela Polícia Civil
Eva Coelho foi indiciada pela Polícia Civil pelo crime de maus-tratos a animais. Ela prestou depoimento na semana passada e confessou as agressões narradas nas redes sociais, segundo a delegada Giovana Muller. O inquérito foi remetido à Justiça no dia 8. A delegada explicou que foi feita uma visita à casa da vereadora para verificar as condições dos animais, com a presença de um veterinário da prefeitura, e que não foram constatados sinais de maus-tratos nos cachorros. "Houve indiciamento pelos maus-tratos referidos na live e confirmados no interrogatório. Não foi pedida prisão. Laudo veterinário apontou que os animais estavam bem cuidados e alimentados", relatou a delegada.
A Associação Santanense de Proteção aos Animais (Aspa) publicou nota de repúdio, afirmando que "o conteúdo divulgado publicamente apresenta elementos que justificam a atuação das autoridades responsáveis, especialmente para verificar as circunstâncias narradas, o estado de saúde dos animais envolvidos e a eventual ocorrência de maus-tratos".
Laudos veterinários contradizem versão inicial
A defesa da vereadora apresentou laudos técnicos que, segundo ela, não constataram indícios clínicos de maus-tratos nem lesões compatíveis com as declarações feitas na live. "Não foram encontradas evidências de que a cadela tenha sofrido episódio convulsivo, sendo consignado pelos profissionais que a intensa salivação observada decorreu do elevado estresse provocado pela briga entre os animais, e não de um quadro neurológico ou de lesões traumáticas", afirma a nota. A delegada também confirmou que os laudos veterinários apontam boas condições de saúde e bem-estar dos animais.



