O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira, deve registrar alta de 0,32%, desacelerando em relação a maio, quando a inflação foi de 0,46%. A taxa acumulada em 12 meses deve atingir 4,81%, ainda acima do centro da meta de inflação, que é de 3,5%.
Pressões nos preços de energia e alimentos
Os principais vetores de alta no mês são os preços de energia elétrica e alimentos. A energia elétrica residencial deve subir 1,2%, impactada pelo reajuste sazonal da bandeira tarifária. Já a alimentação no domicílio deve apresentar alta de 0,20%, desacelerando frente ao mês anterior, mas ainda pressionando o acumulado anual.
Entre os alimentos, os destaques de alta são o tomate (8,5%), a cebola (6,2%) e o leite longa vida (1,8%). Por outro lado, quedas foram observadas em itens como batata-inglesa (-3,1%) e frango (-1,2%).
Serviços e passagens aéreas
No setor de serviços, a pressão vem principalmente das passagens aéreas, que devem subir 5,5% em junho, após queda de 2,1% em maio. Outros serviços como transporte por aplicativo e plano de saúde também apresentam aceleração, com altas de 1,0% e 0,8%, respectivamente.
Segundo a coluna de Míriam Leitão, "a inflação de serviços continua sendo o principal foco de atenção do Banco Central, pois é mais persistente e menos sensível à política monetária".
Impacto na política monetária
A desaceleração do IPCA em junho pode dar alívio ao Comitê de Política Monetária (Copom), que mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano. No entanto, a inflação acumulada em 12 meses ainda está distante da meta, o que deve manter o BC em postura cautelosa.
O mercado financeiro já projeta que a Selic pode começar a cair apenas no segundo semestre, com cortes graduais a partir de agosto, caso a inflação continue em trajetória de queda.



