A China enfrenta um problema crescente com a deterioração do pavimento de suas ruas e estradas, e os principais responsáveis são os carros eletrificados. Cada vez maiores e mais pesados, esses modelos estão desgastando o asfalto em ritmo acelerado, enquanto os recursos para recuperação diminuem.
Carros cada vez maiores e mais pesados
De acordo com a Associação de Automóveis de Passeio da China, 60% dos carros novos lançados no país no primeiro semestre de 2026 ultrapassam 5 metros de comprimento. Em contraste, apenas 2% mediam menos de 4,5 metros, uma queda significativa em relação aos 13% registrados no primeiro semestre de 2025.
Além do tamanho, o peso é um fator crítico. Por conta das baterias, os veículos híbridos ou totalmente elétricos costumam ser significativamente mais pesados do que seus equivalentes a combustão, podendo facilmente ultrapassar três toneladas. O GWM Haval H9, por exemplo, mede 4,95 m de comprimento e pesa 2,5 toneladas. Já o Zeekr 001, com 4,95 m, pode chegar a 2,85 toneladas dependendo da versão.
Perda de arrecadação e déficit na manutenção
O peso dos veículos não é o único desafio. Parte do dinheiro destinado à manutenção das ruas e estradas chinesas vem de impostos sobre combustíveis. Com mais veículos eletrificados nas ruas, a receita diminui. Um levantamento da Bloomberg aponta que o déficit do governo chinês na manutenção das estradas já chega a 50%. O Ministério dos Transportes da China afirma que 40% das estradas locais necessitam de reparos, mas não há verba suficiente para financiar as obras.
Novas formas de arrecadação
Diante da baixa arrecadação, a China estuda novas alternativas. Uma das medidas é a redução dos incentivos fiscais para a compra de veículos de nova energia, como elétricos e híbridos. Atualmente, o governo chinês já diminuiu o desconto de 10% para 5%, limitado a 15.000 yuans.
Além disso, a China está desencorajando a produção de carros excessivamente grandes. Normas mais rígidas de consumo de energia obrigam as montadoras a optar por materiais mais leves para otimizar a autonomia, em vez de simplesmente adotarem baterias mais pesadas.
Veículos de comunicação governamentais, como o jornal oficial do Partido Comunista Chinês e a emissora estatal CCTV, criticam a tendência de carros cada vez maiores. Segundo esses veículos, eles não condizem com a infraestrutura urbana, aumentam o consumo de energia e são apenas uma resposta à demanda do mercado, em vez de representarem inovação tecnológica genuína.
Reino Unido com problema semelhante
A preocupação com a perda de arrecadação sobre combustíveis não é exclusiva da China. No Reino Unido, em novembro de 2025, a chanceler Rachel Reeves determinou que, a partir de 2028, motoristas de carros elétricos pagarão três centavos de libra por milha rodada. Já os motoristas de híbridos pagarão metade desse imposto.
Apesar da cobrança, o governo britânico afirma que a taxa dos elétricos é equivalente à metade do que os motoristas de carros a combustão pagam no país. A contagem da quilometragem será feita durante a inspeção veicular obrigatória (MOT), utilizando o próprio odômetro do carro. De acordo com o Office for Budget Responsibility, órgão fiscal independente do Reino Unido, a receita esperada com o novo imposto é de 1,1 bilhão de libras apenas no ano fiscal de 2028-2029.



