A WEG, gigante brasileira de motores elétricos e equipamentos industriais, anunciou que o México se tornou seu principal polo exportador para os Estados Unidos, superando o Brasil. A informação foi divulgada pelo presidente da empresa, Harry Schmelzer Jr., durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (23).
México lidera exportações para os EUA
De acordo com Schmelzer, as fábricas mexicanas da WEG já respondem por 40% das vendas da companhia para o mercado norte-americano. “O México se consolidou como nossa principal plataforma de exportação para os Estados Unidos, superando o Brasil em volume”, afirmou o executivo.
A WEG possui três unidades industriais no México, localizadas nos estados de Nuevo León, San Luis Potosí e Guanajuato. Essas fábricas produzem motores elétricos, transformadores e equipamentos para automação industrial, destinados tanto ao mercado local quanto à exportação.
Estratégia de proximidade e competitividade
A decisão de ampliar a capacidade no México está alinhada à estratégia de aproximação do mercado norte-americano, aproveitando os benefícios do Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (USMCA). “A integração logística e as vantagens tarifárias nos permitem oferecer prazos de entrega menores e preços mais competitivos”, explicou Schmelzer.
O executivo destacou que a WEG investiu cerca de US$ 200 milhões nos últimos três anos para expandir as operações no México. Esse montante incluiu a construção de novas linhas de montagem e a modernização de processos produtivos.
Impacto no Brasil e perspectivas
Apesar da liderança mexicana, o Brasil continua sendo o maior centro produtivo global da WEG, responsável por 60% da receita total da empresa. No entanto, a participação brasileira nas exportações para os EUA caiu de 55% em 2020 para 35% em 2025.
Schmelzer ressaltou que a mudança não representa uma redução de investimentos no Brasil. “Continuamos acreditando no potencial brasileiro, mas precisamos estar onde o cliente está. O México nos oferece uma porta de entrada mais eficiente para os EUA”, ponderou.
A WEG também estuda ampliar sua presença em outros países da América Latina, como Colômbia e Chile, para diversificar as rotas de exportação. A empresa projeta um crescimento de 12% nas vendas para a América do Norte em 2026.
Reações do mercado
Analistas do setor veem com bons olhos a estratégia da WEG. “A empresa está se beneficiando da relocalização de cadeias produtivas para a América do Norte, fenômeno conhecido como nearshoring”, comentou Carlos Albuquerque, analista da XP Investimentos. “Isso fortalece a competitividade da WEG frente a concorrentes asiáticos.”
As ações da WEG fecharam o dia em alta de 2,3% na B3, refletindo o otimismo do mercado com os resultados do segundo trimestre, que serão divulgados na próxima semana.



