O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) após ela descartar a possibilidade de ser sua vice na chapa presidencial para as eleições de 2026. A declaração de Michelle foi feita durante entrevista à revista Veja, na qual afirmou que não aceitaria o convite porque seu projeto político é diferente do de Zema.
Recado direto de Zema
Em resposta, Zema afirmou que a decisão de Michelle demonstra falta de compromisso com a união da direita. "Ela deixou claro que não quer construir um projeto conjunto. Isso é lamentável, pois o Brasil precisa de união para derrotar a esquerda", disse o governador, em evento em Belo Horizonte.
Zema também destacou que seu partido, o Novo, tem uma agenda liberal e de reformas, enquanto Michelle representa uma ala mais conservadora e ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. "São visões diferentes, mas poderíamos convergir em temas essenciais. Ela preferiu não tentar", completou.
Reações no meio político
A declaração de Michelle gerou reações diversas entre aliados. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse que respeita a decisão, mas que o partido ainda busca uma candidatura própria ou aliança. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elogiou a postura da mãe, afirmando que ela tem "autonomia para decidir seu futuro político".
Pesquisa Datafolha de junho de 2026 mostra que Zema tem 12% das intenções de voto, enquanto Michelle aparece com 8%. A soma dos dois, se estivessem juntos, chegaria a 20%, mas analistas apontam que a rejeição de ambos também é alta.
Impacto na corrida eleitoral
Especialistas avaliam que o racha entre as duas lideranças da direita pode beneficiar o candidato do PT, que lidera as pesquisas com 28%. O cientista político Antonio Lavareda, da USP, afirmou que "a fragmentação da oposição é o maior trunfo do governo atual".
Zema, por sua vez, segue em busca de um vice que possa agregar votos. Seu nome cotado é o do empresário João Doria (sem partido), mas as negociações ainda não avançaram.



