Winter School da Unesp atrai estudantes de 8 países para aprender sobre doenças tropicais
Winter School da Unesp atrai estudantes de 8 países

Enquanto doenças como dengue, chikungunya e leishmaniose começam a dar sinais em países europeus, em Botucatu (SP) elas se transformam em sala de aula para estrangeiros. Todos os anos, estudantes de medicina de diferentes partes do mundo desembarcam na cidade do centro-oeste paulista para aprender, na prática, como o Brasil enfrenta enfermidades típicas das regiões tropicais. Neste ano, a Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp (FMB/Unesp) recebe 19 universitários de oito países para a 11ª edição do curso de inverno “Winter School on Tropical and Infectious Diseases”, programa internacional que promove três semanas de imersão em atividades clínicas, científicas e culturais.

Participantes de oito países e motivações diversas

Os participantes vêm de países como Inglaterra, Canadá, França, Espanha, Rússia e Turcomenistão para acompanhar atendimentos no Hospital das Clínicas da universidade e conhecer a rotina do Sistema Único de Saúde (SUS). Saber como o sistema de saúde brasileiro lida com o atendimento a essas doenças foi, aliás, um dos motivos que levaram Aylar Durdikova a se deslocar quase 13 mil quilômetros do Turcomenistão, onde estuda medicina, até Botucatu, numa viagem de praticamente 21 horas. “Eu queria conhecer a cultura brasileira e entender como o sistema de saúde do Brasil lida com essas doenças, desde a forma como elas são diagnosticadas até o tratamento oferecido”, disse Aylar, em entrevista à TV TEM.

Formação humana e experiência internacional

Para o espanhol Cesar Alabarda, a experiência também representa uma oportunidade de ampliar a formação humana e conhecer uma realidade diferente da vivida na Europa. “Acredito que a medicina não se resume a uma única área. Então é preciso ter uma formação humana, entender um pouco de tudo, para depois tratar melhor o paciente”, declarou, à TV TEM. O estudante de medicina da Espanha também destacou a chance de conhecer o Brasil. “Gostei muito da oportunidade. Nunca tinha vindo ao Brasil, então poder conhecer e viver uma experiência como essa me pareceu muito interessante”, disse.

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Globalização das doenças infecciosas

Segundo o infectologista Alexandre Naime, chefe do Departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, o interesse crescente de estudantes estrangeiros acompanha uma mudança importante no cenário mundial das doenças infecciosas. “A gente vive já há algumas décadas uma globalização das doenças infecciosas. Trinta, quarenta anos atrás, não existia dengue, malária ou leishmaniose em países da Europa, da América do Norte e até da Ásia. Mas hoje já é uma situação cada vez mais frequente, principalmente por conta do aquecimento global e também dos fluxos migratórios”, destacou o especialista à TV TEM. De acordo com o médico, a circulação cada vez maior de pessoas e as mudanças climáticas têm ampliado a presença de enfermidades antes restritas às regiões tropicais, tornando esse conhecimento relevante para profissionais de saúde em diferentes partes do mundo. “Esses alunos estrangeiros vêm aqui justamente para aprender a lidar com essas doenças infecciosas”, ressalta.

Imersão em hospitais, laboratórios e centros de referência

O curso, que vai até 7 de agosto, é ministrado integralmente em inglês e foi criado para estudantes de graduação e pós-graduação de universidades internacionais. Ao longo das três semanas, os participantes estudam temas como vigilância epidemiológica, controle de infecções, malária, leishmaniose, hanseníase, HIV, paracoccidioidomicose, dengue, febre amarela, zika, chikungunya e acidentes com animais peçonhentos. A programação inclui ainda visitas ao Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru, referência nacional no tratamento da hanseníase, ao Hospital Dia Domingos Alves Meira, dedicado ao atendimento de pessoas com HIV, aos laboratórios de microbiologia da Unesp e ao Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP). Além da formação acadêmica, o intercâmbio reserva espaço para a integração cultural. Os estudantes participam de aula de português voltada para situações do dia a dia, além de atividades com universitários brasileiros, visitas turísticas e eventos de confraternização.

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