Rubio diz que EUA estão abertos a acordo, mas Irã não leva negociações a sério
Rubio: EUA abertos a acordo, mas Irã não leva negociações a sério

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta terça-feira que o governo americano permanece aberto a um acordo com o Irã, mas criticou a postura de Teerã, que, segundo ele, não leva as negociações a sério. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Washington, após reuniões com aliados europeus sobre o programa nuclear iraniano.

EUA mantêm disposição para diálogo

Rubio enfatizou que a administração do presidente Donald Trump está disposta a buscar uma solução diplomática, desde que o Irã demonstre compromisso real com as conversas. "Estamos abertos a um acordo que garanta a segurança regional e impeça o Irã de obter armas nucleares. No entanto, até agora, o regime iraniano não tem demonstrado seriedade nas negociações", afirmou o secretário.

A declaração ocorre em um momento de impasse nas relações entre os dois países. Desde que Trump retirou os EUA do acordo nuclear de 2015 (JCPOA) em 2018, as tensões se intensificaram, com o Irã retomando o enriquecimento de urânio em níveis acima do permitido pelo pacto.

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Acusações de falta de seriedade

Rubio acusou o Irã de usar as negociações como uma tática para ganhar tempo enquanto avança em seu programa nuclear. "Eles não estão negociando de boa-fé. Enquanto falam, continuam enriquecendo urânio a níveis que não têm justificativa civil", disse. Segundo relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui urânio enriquecido a 60%, próximo do grau bélico (90%).

O secretário também alertou que os EUA não permitirão que o Irã desenvolva uma arma nuclear. "Todas as opções estão sobre a mesa para impedir que isso aconteça", acrescentou, em referência à possibilidade de ação militar.

Reação do Irã e contexto regional

O governo iraniano, por sua vez, rejeitou as acusações e afirmou que suas atividades nucleares são pacíficas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani, disse que "o Irã sempre negociou de forma séria e construtiva, mas os EUA é que não demonstraram vontade política para um acordo justo".

Analistas apontam que a falta de avanços nas negociações indiretas realizadas em Omã e na Áustria reflete a desconfiança mútua. Enquanto os EUA exigem limites rígidos ao enriquecimento de urânio, o Irã demanda o levantamento total das sanções econômicas impostas desde 2018.

Impacto na região e no mercado de petróleo

A escalada retórica entre os dois países já afeta os preços do petróleo. O barril do Brent subiu 2,3% nesta terça-feira, cotado a US$ 78,50, com temores de interrupção no fornecimento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Irã já ameaçou fechar a passagem em caso de conflito.

Diplomatas europeus tentam mediar a situação, mas admitem que as posições estão distantes. "Precisamos de uma abordagem realista de ambos os lados", disse um alto funcionário da União Europeia, sob condição de anonimato.

Próximos passos

Rubio afirmou que os EUA continuarão consultando aliados, incluindo Israel e países do Golfo, para coordenar a resposta ao programa nuclear iraniano. "Não vamos nos apressar para um acordo ruim. Se o Irã quiser um acordo, sabe o que precisa fazer", concluiu.

Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nas próximas semanas para discutir o tema, sem expectativa de resolução imediata.

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