O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que o país não realizará mais eleições, eliminando qualquer possibilidade de disputa eleitoral após o término de seu mandato em 2027. A medida, anunciada em discurso no domingo (19), consolida ainda mais o regime autoritário que ele divide com sua esposa, Rosario Murillo.
Discurso e contexto histórico
Em sua primeira aparição pública em dois meses, Ortega discursou durante as comemorações da revolução sandinista de 1979, na qual ajudou a derrubar a ditadura de Anastasio Somoza. “Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, afirmou. “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais”, acrescentou, referindo-se à oposição.
Reformas e concentração de poder
Ortega, no poder desde 2007, já havia consolidado seu governo por meio de reformas constitucionais no ano passado, que incluíram a nomeação de Rosario Murillo como “copresidente” e a extensão do mandato presidencial para seis anos. O casal controla praticamente todos os aspectos do governo, incluindo as Forças Armadas e o Poder Judiciário.
Crise política e repressão
A última eleição, em 2021, foi amplamente contestada após a prisão de opositores e líderes empresariais, além da criminalização da dissidência política. A Nicarágua enfrenta grave crise política desde abril de 2018, quando protestos antigovernamentais foram reprimidos com mais de 300 mortes, segundo denúncias.
Condenação internacional
O Conselho de Direitos Humanos da ONU acusou o governo Ortega-Murillo de transformar o país “em um Estado autoritário” e de violar sistematicamente os direitos humanos. A declaração de Ortega de que não haverá mais eleições aprofunda o isolamento internacional do regime.



