Moody's eleva nota da Argentina; Milei comemora e mercado reage
Moody's eleva nota da Argentina; Milei comemora

A agência de classificação de risco Moody's elevou a nota soberana da Argentina de 'Ca' para 'Caa3', com perspectiva estável, dando novo impulso aos planos de reforma econômica do presidente Javier Milei. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (22) e reflete os avanços do país em ajuste fiscal, controle da inflação e estabilização cambial.

O que mudou na nota da Argentina

A elevação de um degrau coloca a Argentina ainda em território de alto risco (grau especulativo), mas sinaliza uma melhora na capacidade de pagamento da dívida. A Moody's destacou que o governo de Milei implementou medidas "significativas" para reduzir o déficit fiscal e conter a emissão monetária, o que contribuiu para a queda da inflação mensal de 25% em dezembro para 8% em maio.

Segundo a agência, a perspectiva estável indica que os riscos estão equilibrados: "A Argentina continua vulnerável a choques externos e internos, mas a determinação do governo em manter a disciplina fiscal e monetária reduz a probabilidade de um default nos próximos 12 a 18 meses".

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Reação do governo e do mercado

O presidente Javier Milei celebrou a decisão em sua conta no X (antigo Twitter): "A Moody's acaba de elevar a nota da Argentina. Isso é resultado do trabalho sério que estamos fazendo para acabar com o déficit fiscal e a inflação. Vamos continuar até a Argentina voltar a ser uma potência mundial".

O mercado de títulos argentinos reagiu positivamente: os bônus com vencimento em 2030 subiram 2,5%, enquanto o risco-país caiu 30 pontos-base, para 1.450 pontos. O índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, avançou 1,8% no fechamento.

Impacto para os investidores

A elevação da nota pode abrir espaço para que fundos internacionais voltem a considerar ativos argentinos, especialmente títulos de dívida. No entanto, analistas alertam que o país ainda enfrenta desafios, como reservas internacionais negativas e um acordo pendente com o FMI. "A melhora na nota é um passo importante, mas a Argentina ainda precisa de um programa consistente com o FMI para ter acesso a financiamento externo", afirma Pedro Carvalho, economista-chefe da Consultoria SulAmérica.

Comparação com outros países

A nota 'Caa3' da Moody's coloca a Argentina no mesmo nível de países como Etiópia e Líbano, mas ainda muito abaixo de outros emergentes como Brasil (Ba2) e México (Baa2). A agência ressalta que a trajetória de melhora dependerá da sustentabilidade das reformas e da capacidade do governo de renegociar a dívida com o FMI.

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