O ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, de 63 anos, compareceu a um tribunal em Nova York nesta quarta-feira (22) para sua terceira audiência desde que foi capturado pelo Exército norte-americano, em janeiro de 2026. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, deixaram o Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, no início da manhã e chegaram ao tribunal distrital do sul de Nova York por volta das 13h (horário de Brasília), segundo a agência Reuters.
Audiência processual e proposta de data para julgamento
A audiência desta quarta-feira concentrou-se em questões processuais. Durante a sessão, promotores e advogados de defesa solicitaram formalmente que a data de início do julgamento seja marcada para junho de 2027, conforme carta enviada na terça-feira (21) pelo promotor Jay Clayton ao juiz federal Alvin Hellerstein, responsável pelo caso.
Manifestantes pró e contra Maduro se reuniram em frente ao tribunal. Alguns exibiam cartazes exigindo a libertação do ditador deposto, enquanto outros carregavam desenhos de Maduro e Cilia presos, com inscrições como “ditadores”.
Detenção e acusações
Maduro e Cilia Flores estão detidos nos EUA desde 3 de janeiro de 2026, quando forças militares norte-americanas os capturaram em Caracas em uma operação combinada naval, aérea e terrestre que depôs Maduro, no poder desde 2013. Desde então, sua ex-vice-presidente, Delcy Rodríguez, atua como presidente interina, estreitando laços com o governo Trump, que controla as exportações de petróleo venezuelano, com receita depositada em contas supervisionadas por Washington.
O casal aguarda julgamento por tráfico de drogas e outras acusações. Maduro se autodenomina “prisioneiro de guerra” e se declarou inocente das quatro acusações: conspiração para cometer “narcoterrorismo”, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos explosivos.
Financiamento da defesa
Após uma disputa com Caracas, Washington permitiu, em abril, que a Venezuela pagasse pela defesa jurídica de Maduro e Flores, algo antes proibido por sanções americanas. O casal havia tentado arquivar os processos argumentando que o bloqueio de financiamento violava seu direito constitucional a um advogado de sua escolha.



