O preço do cobre atingiu um recorde histórico nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, superando a marca de US$ 12.000 por tonelada na Bolsa de Metais de Londres (LME). O metal, essencial para a fabricação de chips e infraestrutura de inteligência artificial (IA), subiu 2,3% no dia, fechando a US$ 12.400 a tonelada, impulsionado pela crescente demanda global e pela escassez de oferta.
Contexto do recorde
O recorde anterior foi registrado em março de 2024, quando o cobre alcançou US$ 11.100. Desde então, o preço acumula alta de aproximadamente 12%, refletindo a aceleração dos investimentos em data centers, redes de energia e veículos elétricos, todos intensivos em cobre. Segundo a Associação Internacional do Cobre (ICA), a demanda por cobre deve crescer 3,5% em 2026, puxada principalmente pelo setor de tecnologia.
“A inteligência artificial é um dos principais motores dessa alta. Cada data center de grande porte consome cerca de 50 toneladas de cobre para sua infraestrutura elétrica e de refrigeração”, afirma Carlos Alberto, analista sênior da consultoria CRU Group.
Impacto na indústria
A alta do cobre eleva os custos de produção para fabricantes de eletrônicos, cabos e equipamentos elétricos. Empresas como a chinesa Foxconn, maior montadora de eletrônicos do mundo, já sinalizaram repasse de custos aos consumidores. No Brasil, setores de energia e construção também sentem o impacto, com aumento nos preços de fiação e componentes.
“O cobre é o novo petróleo da era digital. Sem ele, não há transição energética nem avanço da IA”, destaca Maria Fernanda, economista-chefe do Banco ABC. Ela ressalta que a oferta global é restrita, com minas em países como Chile e Peru operando perto da capacidade máxima.
Perspectivas futuras
Analistas do Goldman Sachs projetam que o cobre pode chegar a US$ 15.000 por tonelada até 2028, caso a demanda continue crescendo no ritmo atual. No entanto, alertam para riscos de correção, caso haja desaceleração econômica global ou aumento da reciclagem.
No Brasil, a produção de cobre é modesta, com destaque para a mina de Salobo, no Pará, operada pela Vale. A empresa anunciou recentemente um plano de expansão de 20% na capacidade, mas ainda depende de licenciamento ambiental.
Reações do mercado
O recorde do cobre também influenciou outras commodities metálicas, como alumínio e níquel, que subiram 1,5% e 2%, respectivamente. Investidores veem o cobre como um termômetro da economia global e da corrida tecnológica entre EUA e China.
“A disputa por semicondutores e baterias está diretamente ligada ao cobre. Quem controlar a oferta desse metal terá vantagem estratégica”, avalia Paulo Henrique, gestor de fundos da XP Investimentos.
Apesar do otimismo, especialistas recomendam cautela. A volatilidade dos preços pode ser alta, e governos podem intervir com medidas para conter a inflação. Por ora, o mercado segue atento aos próximos dados de produção industrial e à reunião do Federal Reserve, que pode sinalizar novos estímulos.



