O governo Lula terá hoje uma nova rodada de reuniões com empresários de setores afetados pelo tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Desta vez, irão a Brasília representantes dos setores de móveis, açúcar, fumo e indústria química. A reunião acontece no dia em que entra em vigor a nova tarifa de 25% definida pelo governo Trump, que passa a incidir sobre uma série de produtos brasileiros exportados para os EUA.
Reuniões anteriores e setores excluídos
Ontem, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa, se reuniram com associações de setores que não entraram para a lista de exceções da tarifa de 25%: calçados, indústria elétrica e eletrônica, máquinas e equipamentos, e indústrias de plástico e de pneus.
Posição da Abimaq contra a Lei da Reciprocidade
Após se encontrar com Alckmin, o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade pelo governo. Segundo ele, a medida pode gerar retaliações e prejudicar ainda mais o setor.
Participação do Ministério da Fazenda
Com liderança do Mdic, as reuniões devem contar também com a participação do Ministério da Fazenda. O ministro, Dario Durigan (Fazenda), se reuniu ontem com Márcio Elias e o presidente Lula, no Palácio do Alvorada, para discutir a reação ao novo tarifaço de Trump. A ideia é ouvir as associações setoriais para entender as demandas de cada segmento, na direção de mitigar os impactos da política protecionista de Trump. Neste momento, além de calibrar o tamanho do pacote de auxílio aos exportadores, o governo poderá mostrar as ações já tomadas e reforçar a disposição de ajudar o empresariado dentro do possível.
Oportunidade política e dados da CNI
Como mostrou o GLOBO, o governo Lula vê uma oportunidade nestas reuniões para também tentar trazer os empresários para o seu lado às vésperas das eleições. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tarifaço vai atingir 26,2% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Produtos importantes para o mercado americano, como ferro-gusa, café, carnes e laranja, entraram para a lista de exceções.
Setores mais atingidos
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, os segmentos mais atingidos pela nova taxação, que entra em vigor amanhã, são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.



