Ao contrário do clima festivo habitual, a entrada dos torcedores no estádio de Atlanta para o duelo entre Argentina e Inglaterra, válido pela semifinal da Copa do Mundo, é marcada por um forte esquema de segurança montado pelas autoridades. Muitas viaturas e policiais armados, alguns com fuzis, tomam conta da chegada do público.
Partida de alto risco
O jogo foi considerado pelo FBI como o de maior risco deste Mundial. A forte rivalidade entre argentinos e ingleses, existente desde a Guerra das Malvinas, em 1982, preocupa as autoridades. Os dias que antecederam a partida já registraram brigas, principalmente em Miami, onde há uma grande comunidade argentina e britânicos foram acompanhar a partida contra os noruegueses pelas semifinais.
Apelo dos veteranos
Para mitigar as desavenças políticas, a Federação de Veteranos da Guerra de 2 de Abril, da Argentina, fez um apelo para que os torcedores tratem o confronto apenas como uma partida de futebol. O pedido é para que não utilizem o jogo como palco para reivindicações sobre a soberania das ilhas Malvinas.
Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Federação afirmou que o duelo "não é uma revanche armada nem uma compensação histórica" e pediu que a memória dos soldados argentinos mortos no conflito de 1982 seja homenageada sem incentivar discursos de ódio ou xenofobia.
— A soberania é defendida nos fóruns internacionais por meio da diplomacia, da verdade histórica e da reivindicação pacífica e inegociável consagrada em nossa Constituição Nacional. Consideramos essencial traçar uma linha clara e inabalável entre a paixão esportiva e a causa nacional. A bola rola, o orgulho por nossas cores se multiplica, mas a memória permanece intacta — escreveu a Federação.
Guerra das Malvinas
A Guerra das Malvinas foi travada entre Argentina e Reino Unido em 1982 pela posse das ilhas, conhecidas pelos britânicos como Falklands e pelos argentinos como Malvinas. O conflito durou pouco mais de dois meses e deixou 649 militares argentinos e 255 britânicos mortos.



