O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse nesta terça-feira (4) que espera que a transição política na Venezuela leve "meses, não anos", em meio à crise pós-eleitoral no país. A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa em Washington, após reunião com a vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, María Corina Machado.
Pressão internacional e diálogo
Rubio enfatizou que os EUA apoiam um processo de transição pacífica e democrática, mas que a responsabilidade principal é dos venezuelanos. "Não vamos impor uma solução, mas estamos prontos para facilitar o diálogo entre as partes", afirmou. Ele também pediu que o governo de Nicolás Maduro liberte os presos políticos e aceite a mediação internacional.
A declaração ocorre em um momento de tensão, com protestos e repressão na Venezuela após as eleições de 28 de julho, que deram a vitória a Maduro, mas foram contestadas pela oposição e por observadores internacionais. Os EUA, junto com vários países latino-americanos, não reconhecem o resultado e pedem uma auditoria independente dos votos.
Reações e próximos passos
María Corina Machado, que participou da reunião, afirmou que a oposição está disposta a negociar, mas sob condições claras. "Não aceitaremos nada menos que a restauração da democracia e a libertação de todos os presos políticos", disse. Ela também agradeceu o apoio dos EUA e de outros países.
Analistas veem a declaração de Rubio como um sinal de que os EUA preferem uma solução gradual, evitando ações mais duras como sanções adicionais ou intervenção militar. "A linguagem de 'meses, não anos' sugere que Washington quer pressionar sem fechar as portas para uma negociação", comentou o cientista político Michael Shifter, do Diálogo Interamericano.
Impacto regional
A crise venezuelana tem impacto direto na região, especialmente em países como Colômbia e Brasil, que receberam milhões de refugiados. O governo brasileiro, por sua vez, tem mantido uma posição de cautela, defendendo a verificação independente dos votos, mas sem romper relações com Caracas.
Nesta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, também pediu calma e diálogo, alertando para o risco de escalada da violência. Segundo a ONU, pelo menos 11 pessoas morreram nos protestos pós-eleitorais, e mais de 1.200 foram detidas.
Histórico de tensões
As relações entre EUA e Venezuela são tensas há anos, com sanções econômicas e apoio à oposição. Em 2019, os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino, mas a medida não conseguiu derrubar Maduro. Agora, com a nova crise, a comunidade internacional observa se haverá uma mudança real ou mais do mesmo.
Rubio, que é de origem cubana e conhecido por sua postura dura contra regimes autoritários, reforçou que os EUA continuarão a usar todas as ferramentas disponíveis para apoiar a democracia na Venezuela, incluindo sanções direcionadas a funcionários do governo. Ele também mencionou a possibilidade de aumentar o apoio humanitário aos venezuelanos.
O que esperar
Especialistas divergem sobre a viabilidade de uma transição rápida. Enquanto alguns acreditam que a pressão internacional pode forçar Maduro a negociar, outros lembram que ele ainda controla as forças armadas e tem o apoio de Rússia e China. "A janela para uma transição pacífica é estreita, mas existe", avaliou a analista venezuelana Vanessa Neumann.
Por enquanto, o governo Maduro rejeita qualquer interferência externa e convocou uma contraprotesto para sábado (8), em Caracas. A oposição, por sua vez, planeja novas manifestações. O mundo aguarda os próximos capítulos, enquanto a população venezuelana sofre com a escassez de alimentos, remédios e a hiperinflação.



