A onda de calor extremo que atinge a Europa está evaporando recursos hídricos em ritmo acelerado, impactando diretamente o transporte marítimo, a agricultura e as indústrias do continente. Rios como o Reno, o Pó e o Danúbio registram níveis historicamente baixos, comprometendo a navegação e a irrigação.
Níveis críticos nos principais rios europeus
O nível do rio Reno, vital para o transporte de cargas na Alemanha, caiu para menos de 50 centímetros em alguns trechos, inviabilizando a passagem de barcaças. Segundo a Agência Federal de Navegação e Hidrovias da Alemanha, o volume de carga transportada no Reno caiu 30% em relação à média histórica para o mês de julho. Na Itália, o rio Pó está 70% abaixo do normal, afetando a produção de arroz e milho na região do Vêneto.
Impacto na agricultura e na indústria
A falta de água para irrigação já causou perdas de safra em países como França, Espanha e Portugal. O Ministério da Agricultura da França estima que a produção de trigo deste ano será 15% menor do que a esperada. Na Espanha, a seca extrema levou o governo a declarar estado de emergência hídrica em várias províncias, restringindo o uso de água para agricultura e indústria. Setores como o siderúrgico e o químico, que dependem de água para resfriamento e processos produtivos, também estão sendo afetados.
Transporte marítimo e logística comprometidos
O baixo nível dos rios está forçando empresas de logística a reduzir a carga das barcaças ou a buscar rotas alternativas, aumentando os custos de transporte. A associação de navegação interior alemã reportou que o custo do frete no Reno triplicou nas últimas semanas. Além disso, portos como o de Roterdã, na Holanda, enfrentam dificuldades para receber navios de grande porte devido ao calado reduzido no estuário do Reno.
Previsões e medidas de adaptação
Meteorologistas preveem que a onda de calor deve persistir por mais duas semanas, com temperaturas acima de 40°C em partes da Europa Central. A Comissão Europeia anunciou um pacote de emergência de 500 milhões de euros para ajudar agricultores e empresas a enfrentar a crise hídrica. "Estamos diante de um evento climático extremo que exige respostas imediatas e coordenadas", afirmou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em comunicado oficial.



