Uma organização não governamental nas Filipinas está utilizando testes de DNA e medidas judiciais para localizar homens estrangeiros que abandonaram seus filhos em Angeles City, uma região conhecida pelo turismo sexual. A iniciativa busca garantir pensão alimentícia e o reconhecimento legal da paternidade para crianças que foram deixadas por pais britânicos e de outras nacionalidades.
Como funciona a 'caça aos pais'
A ONG, que atua na cidade de Angeles, coleta amostras de DNA das crianças e cruza com informações de possíveis pais, muitos dos quais já retornaram para seus países de origem. O processo envolve a abertura de ações judiciais nas Filipinas e, em alguns casos, a cooperação internacional para localizar os responsáveis.
De acordo com a entidade, o objetivo não é apenas obter suporte financeiro, mas também garantir que as crianças tenham o direito de conhecer sua origem e estabelecer vínculos legais com seus pais biológicos. A falta de reconhecimento de paternidade deixa essas crianças em situação de vulnerabilidade, sem acesso a benefícios como herança e cidadania.
O contexto do turismo sexual em Angeles City
Angeles City, localizada na província de Pampanga, é historicamente associada ao turismo sexual, especialmente devido à presença de bares e casas noturnas que atraem estrangeiros. Muitos desses visitantes mantêm relacionamentos temporários com mulheres locais, resultando em gravidezes não planejadas e, posteriormente, no abandono das crianças.
Um relatório recente estima que centenas de crianças na região vivem sem o reconhecimento paterno, muitas delas em situação de pobreza extrema. A ONG afirma que, em média, 10 novos casos são registrados por mês, evidenciando a magnitude do problema.
Impacto e desafios legais
O processo de localização dos pais enfrenta obstáculos significativos, como a falta de acordos bilaterais entre as Filipinas e outros países para execução de sentenças de pensão alimentícia. Além disso, muitos homens negam a paternidade, exigindo que o teste de DNA seja feito em laboratórios credenciados, o que aumenta os custos e o tempo dos processos.
“Estamos lidando com uma questão de justiça social. Essas crianças têm direitos que precisam ser respeitados, independentemente da nacionalidade de seus pais”, afirmou a coordenadora da ONG, que preferiu não se identificar.
Até o momento, a organização já obteve sucesso em 15 casos, garantindo pensões mensais que variam de 50 a 200 dólares, valores que fazem diferença significativa na vida das famílias beneficiadas.
Futuro da iniciativa
A ONG planeja expandir sua atuação para outras cidades das Filipinas com alta incidência de turismo sexual, como Cebu e Davao. Além disso, busca parcerias com embaixadas e organizações internacionais para facilitar a notificação de pais no exterior e a execução de acordos financeiros.
O uso de tecnologia genética tem se mostrado uma ferramenta eficaz, mas a entidade ressalta que a mudança cultural e a educação são fundamentais para prevenir o abandono. “Precisamos conscientizar tanto os estrangeiros quanto a população local sobre a responsabilidade parental e as consequências legais do abandono”, concluiu a coordenadora.



