Militantes ligados à Al-Qaeda e a um grupo separatista liderado por tuaregues emboscaram um comboio militar no norte do Mali no fim de semana, resultando na morte de mais de 50 soldados e combatentes russos aliados, de acordo com uma fonte próxima aos rebeldes. A informação foi divulgada neste sábado (20) e marca o mais recente ataque em uma escalada de violência no país.
Detalhes da emboscada
O incidente ocorreu no sábado entre as cidades de Anefis e Gao, no norte do Mali, conforme declarações das Forças Armadas do Mali, da Frente de Libertação do Azawad e do grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal Muslimin (JNIM), afiliado à Al-Qaeda. As forças armadas malinesas informaram que a emboscada aconteceu na região de Tabrichat e foi seguida por ataques aéreos de retaliação que mataram pelo menos 20 insurgentes.
O comunicado da Frente de Libertação do Azawad afirmou que “dezenas” de soldados malineses e membros do Corpo Africano, grupo paramilitar russo, foram “neutralizados” e que houve danos materiais consideráveis. Uma fonte próxima à Frente afirmou que mais de 50 combatentes pró-governo foram mortos. A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente o número de mortos.
Escalada da violência
Este é o mais recente de uma série de ataques cada vez mais intensos dos dois grupos, que uniram forças em abril para realizar ataques em todo o país. As ações anteriores resultaram na morte do ministro da Defesa do Mali e atingiram o aeroporto da capital Bamako. Os grupos lançaram uma segunda onda neste mês com o objetivo de tomar a cidade de Anefis.
Imagens de rendição e execuções
O grupo JNIM divulgou imagens na internet que pareciam mostrar soldados se rendendo após a emboscada, com as mãos atrás da cabeça, bem como rebeldes atirando em alguns de seus prisioneiros. A Reuters não verificou as imagens de forma independente.
Até o momento, as forças armadas do Mali mantêm o controle de Anefis, mas a escalada da violência representa uma ameaça ao governo militar do país, que assumiu o poder por meio de golpes de Estado em 2020 e 2021 e prometeu melhorar a segurança nessa nação sem litoral do Sahel.



