A Federação de Futebol da Jordânia acusou publicamente a Fifa de praticar chantagem ao condicionar ajuda financeira e administrativa ao apoio político ao presidente Gianni Infantino. A denúncia foi feita pelo presidente da federação jordaniana, Ali Bin Al Hussein, em uma declaração veiculada em suas redes sociais, na qual relata uma série de problemas enfrentados pela seleção do país durante a participação inédita na Copa do Mundo de 2026.
Problemas enfrentados pela Jordânia na Copa
Na declaração, Ali Bin Al Hussein enumerou três principais obstáculos: a dificuldade de obtenção de vistos para torcedores jordanianos nos Estados Unidos, a cobrança de impostos sobre a premiação da participação no torneio e o atraso no pagamento de valores referentes à Copa Árabe, disputada em dezembro no Catar. Segundo ele, enquanto a Fifa ostenta reservas bilionárias, a federação jordaniana ainda aguarda o dinheiro destinado aos jogadores pela final daquela competição.
"Somos um pequeno país com um orçamento mínimo para nossa federação e tivemos que lidar com obstáculos enormes", afirmou Ali Bin Al Hussein, destacando que nem todos os torcedores que compraram ingressos para os jogos nos EUA receberam vistos, mesmo com entradas adquiridas a preços exorbitantes.
Acusação de chantagem e recusa de apoio
O ponto central da denúncia é a alegação de que, durante a Copa do Mundo, um representante da Fifa teria comunicado verbalmente que, se a Jordânia apoiasse Infantino, haveria um caminho para a entidade ajudar a federação. "Por meses, a Fifa tem se recusado a nos ajudar em qualquer desses ou outros assuntos", escreveu Ali. "Toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso."
O dirigente enfatizou que a Jordânia não apoiará Infantino, reafirmando o compromisso com valores éticos: "Nós temos orgulho de na Jordânia defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora." A Fifa, procurada, afirmou que não comentará as acusações.
Contexto político e pressão sobre Infantino
A manifestação da Jordânia soma-se a uma onda de críticas e movimentos contra a permanência de Gianni Infantino na presidência da Fifa. Recentemente, veio à tona a tentativa de criar uma empresa que controlaria a entidade, permitindo a participação de acionistas, o que gerou forte reação. A Uefa, por exemplo, mantém pressão pela saída de Infantino, e outras federações têm se posicionado contra sua reeleição.
Ali Bin Al Hussein também destacou uma inconsistência tributária: seleções que jogaram no Canadá e no México não foram taxadas, enquanto as que atuaram nos EUA, como a Jordânia, tiveram que arcar com impostos. "Dinheiro que deveria ir para jogadores e funcionários", lamentou.
Impacto e próximos passos
A acusação de chantagem pode agravar a crise de imagem da Fifa, que já enfrenta questionamentos sobre transparência e governança. A recusa da Jordânia em apoiar Infantino indica que a base de apoio do presidente pode estar se fragmentando, especialmente entre federações menores que dependem do apoio financeiro da entidade.
Especialistas apontam que, caso as denúncias ganhem repercussão, podem influenciar as eleições da Fifa, previstas para 2027. A Jordânia, ao se posicionar publicamente, incentiva outras federações a também exporem suas queixas. Até o momento, a Fifa não se pronunciou oficialmente sobre os detalhes da declaração de Ali Bin Al Hussein.



