A seleção brasileira entrará em um novo ciclo a partir de 25 de setembro, quando disputará amistosos contra a Austrália, em dois jogos, e diante da Índia. A comissão técnica comandada por Carlo Ancelotti sinaliza reformulação, mas a mudança não será abrupta. O italiano pretende renovar gradualmente o elenco que esteve na última Copa do Mundo, utilizando como base uma lista ampla de 60 jogadores avaliados ao longo dos últimos doze meses.
Para dar sequência ao trabalho, Ancelotti acompanhará de perto o desempenho dos atletas mais jovens no retorno das ligas europeias. Só depois dessa observação é que as convicções deverão ser confirmadas. A primeira convocação, porém, ainda deve preservar boa parte do grupo que disputou o Mundial. O time que sairá dessa primeira lista não espelhará, portanto, a equipe projetada para a Copa América de 2028, competição que será sediada no Equador ou nos Estados Unidos.
Os nomes fora dos planos de Ancelotti
A nova fase indica que jogadores como Danilo, Casemiro, Alex Sandro e Neymar — e até o goleiro Alisson — estão fora dos planos da comissão técnica. O foco passa a ser os atletas que já foram observados na lista ampla do pré-Copa e que tiveram bom aproveitamento nas avaliações. A cúpula da seleção também promoveu alterações nesse grupo, incluindo outros jogadores nascidos entre 2006 e 2007, a geração de Vítor Reis, Rayan, Endrick e Estêvão.
Integração com as categorias de base
A integração com as categorias de base é parte do projeto. O trabalho de Ancelotti passará a envolver Paulo Vitor, Dudu Patetuci e Guilherme Dalla Dea, técnicos das seleções sub-20, sub-17 e sub-15, respectivamente. O treinador já se reuniu com eles em Teresópolis. A aproximação tem objetivos bem definidos: o Sul-Americano sub-20, em janeiro, o Pré-Olímpico no meio do ano, os Jogos Olímpicos nos Estados Unidos e a Copa América de 2028.
Com essa estrutura, a seleção principal poderá acelerar o processo de maturação de talentos que ainda estão em idade de formação. Isso inclui a possibilidade de observar e até convocar jovens que não sejam liberados pelos clubes para competições de base. Ancelotti, por já conhecer esses atletas, poderá antecipar a integração deles ao time principal.
Um time com média de idade entre 18 e 24 anos
Analisando os jogadores que vêm sendo testados pelo italiano, é possível montar uma equipe com idade entre 18 e 24 anos, com exceção do goleiro. Na meta, a novidade deve ser John, de 30 anos, ex-Botafogo e atualmente no Nottingham Forest. Seu nome será observado de perto. Na defesa, aparecem Wesley (24), Vítor Reis (20), Beraldo (24) e Kaiki (24). No meio-campo, Andrey Santos (22) e Danilo (24). No ataque, Rayan (20), Endrick (20), Vitor Roque (21) e Estêvão (19).
Esses jovens devem ser complementados por atletas mais experientes na próxima convocação. Éder Militão, Marquinhos, Douglas Santos, Lucas Paquetá, Bruno Guimarães, Vinicius Junior e Gabriel Martinelli estão entre os nomes que devem se juntar ao grupo. A combinação deve dar o tom da transição entre a geração que disputou o Mundial e o time que passará a defender o Brasil nos próximos ciclos.
Rodrygo só volta em 2027
Rodrygo, no entanto, vive uma fase de transição. O atacante não deve aparecer nas próximas listas e só reaparecerá na primeira data Fifa de 2027. A decisão faz parte do planejamento para dar tempo ao jogador de se ajustar ao novo momento da equipe.
Investimento em estrangeiros reforça aposta na formação
A política de investimento dos clubes em jogadores estrangeiros também influencia a decisão da comissão técnica. Com a crescente chegada de atletas de outras nacionalidades aos principais campeonatos, sobra cada vez menos espaço para jovens brasileiros nos times locais. Para Ancelotti, a alternativa é focar nos jogadores ainda em idade de formação, justamente para facilitar o acompanhamento deles após a inevitável transferência para o exterior.
A avaliação interna é de que, mesmo que os clubes não liberem os jovens para as principais competições de base, o técnico pode usar o conhecimento prévio para antecipar a maturação deles na seleção principal. A intenção é reduzir o tempo de adaptação e permitir que a nova geração ganhe experiência internacional mais cedo.



