PT oficializa Lula à reeleição em convenção no Expocenter Norte
PT oficializa Lula à reeleição em convenção no Expocenter

A convenção do PT neste domingo (2) em São Paulo terá perfil interno, voltado à militância e aos delegados, mas marca o início oficial da caminhada de Luiz Inácio Lula da Silva rumo à reeleição. O ato acontece no Expocenter Norte, na zona norte da capital paulista, com a presença de ministros e dirigentes petistas. A grande celebração de lançamento da campanha ficou reservada para 16 de agosto, em São Bernardo do Campo, palco histórico da trajetória política do ex-metalúrgico.

Aos 80 anos, Lula busca o quarto mandato e, caso eleito, ampliará o recorde de presidente eleito e empossado com mais idade na história do país. A coordenação de campanha avalia que o evento deste domingo é destinado a consolidar o apoio partidário e a preparar o terreno para a disputa de 4 de outubro, quando o presidente espera já celebrar uma vitória em primeiro turno.

Chapa e alianças consolidadas

Ao contrário de adversários que ainda negociam coligações, o petista entra no período eleitoral com a chapa fechada. O PSB confirmou Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente, repetindo a composição vitoriosa de 2022. PDT e PCdoB também já formalizaram apoio, enquanto PV, Psol e Rede devem concluir seus processos até a próxima semana.

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Essa configuração tende a garantir ao presidente o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita, embora o cálculo definitivo dependa das alianças que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda pode fechar com partidos como União Brasil, PP e Republicanos. O cômputo oficial será divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o registro das candidaturas, em 15 de agosto.

Com a chapa definida, alianças praticamente consolidadas e a máquina eleitoral montada, o desafio do petista passa a ser converter esse capital político em votos suficientes para sustentar o discurso de vitória já no primeiro turno. A estratégia do PT combina duas frentes: ampliar a percepção de favoritismo, apoiada na recuperação dos índices de aprovação do governo registrada nas últimas semanas, e preservar a ampla coalizão construída desde 2022, evitando disputas internas e concentrando a campanha na comparação entre o governo Lula e a oposição liderada por Flávio Bolsonaro.

Ambiente da largada

A convenção ocorre em meio a duas frentes de desgaste político. O Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito para investigar Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas relacionadas ao caso do INSS. Paralelamente, a Polícia Federal enviou ao STF um relatório com novas informações sobre negociações envolvendo um apartamento ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao empresário Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero.

Embora os episódios não atinjam diretamente a candidatura de Lula, eles alteram o ambiente político da largada. Por isso, o PT quer concentrar o debate em temas de governo e na evolução da popularidade do presidente, evitando que os casos dominem o noticiário às vésperas do início oficial da propaganda eleitoral. Internamente, admite-se que essas crises podem servir de munição para a campanha de Flávio Bolsonaro, que buscava uma nova narrativa contra o ex-presidente.

Fundo eleitoral e estrutura da campanha

O PT destinou R$ 127 milhões do fundo eleitoral para a campanha presidencial de Lula. O valor corresponde a 20,64% dos cerca de R$ 615 milhões que o partido receberá do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Corrigido pela inflação, o montante é superior ao de 2022, quando Lula teve R$ 66,7 milhões. Na proporção, porém, a fatia da disputa presidencial caiu de 26% para pouco mais de 20% do total.

A mudança reflete uma estratégia distinta da adotada na eleição anterior: o partido optou por pulverizar mais recursos entre candidaturas ao Congresso e aos governos estaduais, sem concentrar parcela tão elevada na corrida presidencial. Isso sinaliza que a prioridade não é apenas a recondução de Lula, mas também o fortalecimento das bancadas petistas.

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O discurso mudou

Nas últimas semanas, Lula passou a defender abertamente a possibilidade de vencer no primeiro turno, em contraste com o início do ano, quando o Palácio do Planalto evitava qualquer demonstração de excesso de confiança. Durante a convenção do PSB, o presidente usou uma metáfora para defender a antecipação da vitória: “Aquele ditado de que o vinho, quanto mais velho, melhor fica, eu quero dizer que vocês têm aqui duas garrafas de vinho da melhor qualidade. Bebam elas para que a gente possa chegar no dia 4 de outubro e matar as eleições no 1º turno.”

O discurso acompanha a melhora gradual da avaliação do governo. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana mostra aprovação de 47,6%, ante desaprovação de 51,2%. O Datafolha aponta cenário mais equilibrado, com 49% de aprovação e 48% de desaprovação. Apesar do ambiente mais favorável ao Planalto, aliados reconhecem que a campanha ainda dependerá da evolução da economia, do comportamento do eleitorado independente e da capacidade da oposição de ampliar sua base de alianças. Esses fatores devem definir se a vantagem inicial de Lula será suficiente para sustentar a narrativa de uma vitória sem segundo turno.