Sócios do Avaí aprovam venda de 90% da SAF para Kactus Capital
Sócios do Avaí aprovam venda da SAF para Kactus Capital

Em uma assembleia realizada nesta terça-feira, os sócios do Avaí aprovaram a venda de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube para a empresa Kactus Capital. A decisão, que já havia sido avalizada pelo Conselho Deliberativo há duas semanas, marca o início de um processo histórico para o clube catarinense.

Votação e próximos passos

O presidente do Avaí, Bernardo Pessi, destacou a importância da votação e afirmou que o trabalho está apenas começando. “A gente passou por um processo de votação importante. Processo que foi participativo, cuidadoso, que deu um norte para o clube. Não é momento de comemorar, pelo contrário, é momento de muito trabalho, dedicação e compromisso para dar esse destino ao clube”, declarou em pronunciamento nas redes sociais.

Pessi explicou que a operação não será concluída rapidamente. “Passamos por um período de 60 dias de diligências para avaliação contratual, documental e estruturação burocrática de todo o processo. A gente já está buscando a estruturação dos R$ 2,5 milhões, decorrentes da aprovação da votação, e, imediatamente, já temos trocado informações em relação ao departamento de futebol para sairmos dessa situação o mais rápido possível e passemos a olhar para novos objetivos.”

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Aporte emergencial e planos da Kactus

Os R$ 2,5 milhões citados por Pessi representam a segunda metade do aporte emergencial feito pela Kactus Capital ao Avaí. A primeira parcela foi investida após a votação do Conselho Deliberativo, em 30 de junho, para regularizar parte das contas. Rafael Matheus, sócio e co-fundador da Kactus Capital, explicou ao ge que a prioridade é a permanência do clube na Série B. “A gente está preocupado com a permanência do Avaí na Série B. Nossos esforços estão muito voltados nesse sentido, por isso houve uma antecipação de crédito de caráter emergencial para que pudesse melhorar a situação de atleta, de comissão, de todo mundo.”

Rafael afirmou que, inicialmente, a Kactus não pretende realizar grandes mudanças no quadro de funcionários. “Pretendemos implantar um suporte maior em alguns setores, principalmente, scout e departamento de saúde e performance. Mas a gente pensa que a continuidade das peças que estão, com o salário em dia, seja o melhor caminho para evitar mudar muita gente.”

O papel de Rodriguinho

O ex-jogador Rodriguinho, que passou por Corinthians e Cruzeiro, é sócio-investidor da Kactus e pode atuar no departamento de futebol, mas sem função definida. “Ele vai decidir o que quer fazer, conforme aprovado entre os membros. Rodrigo é um cara que agrega, conhece o futebol moderno e tem muito a acrescentar, seja no dia a dia, estando presente no elenco, dando conselho para o garoto da base, para o diretor executivo de futebol. Além disso, ele acessa muitos clubes e muitos telefones. Às vezes, o relacionamento conta muito. É algo que o dinheiro não compra”, disse Rafael.

Detalhes da proposta

A Kactus Capital ofereceu R$ 400 milhões por 90% da SAF do Avaí. A empresa se compromete a arcar com todas as dívidas do clube, que somam mais de R$ 290 milhões. “Pra gente que é acostumado a trabalhar com ativos estressados isso é uma oportunidade. Acho que a gente consegue fazer uma negociação melhor para a dívida. A gente está assumindo toda a dívida, seja ela R$ 300 ou 600 milhões. Já iniciamos a due diligence para poder entender sobre a nossa ótica qual é realmente o endividamento do clube. Mas não, não é algo que nos assusta”, afirmou Rafael.

O investimento será dividido em: R$ 75 milhões no projeto desportivo (R$ 25 milhões nos três primeiros anos); R$ 20 milhões para a base em dez anos; R$ 5 milhões para infraestrutura em cinco anos; além de assumir os custos operacionais diários.

“Os R$ 25 milhões são aporte, é dinheiro novo. O clube tem receita, ela está muito abaixo do que a gente espera para um clube do tamanho do Avaí. Então, muito do que a gente vai empregar é gestão, trazer expertise, governança sobre os números para que a gente possa, primeiramente, aumentar essa receita e, no paralelo, nosso aporte para que consiga levar o Avaí de volta para Série A, que aí sim é quando o negócio do futebol começa a ficar muito mais sustentável”, explicou Rafael.

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Ele também destacou a torcida como ativo: “Uma das principais linhas de receita pra gente é a torcida do Avaí, que é muito apaixonada, independente de estar na Série A, B ou C. Isso é algo que nos motiva. Nós não temos pretensão nenhuma de deixar o Avaí caso seja rebaixado.”

Garantias e participação dos torcedores

A Kactus promete uma folha mínima para jogadores: R$ 2,5 milhões (mais impostos) na Série B e R$ 7 milhões (mais impostos) na Série A. O presidente Bernardo Pessi destacou as garantias do contrato: 1/3 das cadeiras no conselho de administração; veto em decisões como nome, cores, hino, estádio e cidade; veto em novas negociações com outros investidores; e garantia integral do patrimônio (Ressacada e centro de treinamento).

Rafael Matheus concluiu: “Foi um pedido nosso ter pelo menos 10% das cotas da SAF para torcedores do Avaí. A gente quer todo mundo dentro desse projeto, que as pessoas que torcem pelo clube façam parte desse processo dessa nova jornada.”