IPCA+8% é para todos? Saiba se taxa rara justifica investir no Tesouro
IPCA+8% é para todos? Saiba se taxa rara justifica

O Tesouro IPCA+ voltou a oferecer taxas acima de 8% ao ano, um patamar considerado raro nos últimos anos. A alta ocorre em meio à repercussão de pesquisas eleitorais que geraram incertezas no mercado. Mas investidores se perguntam: essa taxa, por si só, é motivo suficiente para aplicar?

O que significa IPCA+8%?

O Tesouro IPCA+ é um título público que rende a variação da inflação (IPCA) mais uma taxa de juros prefixada. Quando essa taxa atinge 8% ao ano, significa que, além de proteger o poder de compra, o investidor recebe um ganho real elevado. Historicamente, taxas acima de 6% já são consideradas atrativas; 8% é excepcional.

Por que a taxa subiu?

Segundo analistas, o movimento reflete o aumento das expectativas de inflação e a percepção de risco fiscal. A pesquisa Quaest divulgada recentemente mostrou que 51% dos entrevistados acham que o presidente Lula não merece mais quatro anos de mandato, o que acirrou o debate político e pressionou os juros futuros. Com isso, as taxas dos títulos IPCA+ subiram, tornando-os mais rentáveis para quem compra agora.

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Mas a taxa justifica o investimento?

Especialistas alertam que olhar apenas para a taxa pode ser um erro. “O IPCA+8% é muito bom, mas o investidor precisa considerar o prazo e a liquidez”, afirma Carlos Dalto, analista da Rico. Títulos IPCA+ costumam ter vencimentos longos, de 5 a 30 anos. Se o dinheiro for necessário antes, a venda antecipada pode gerar perdas, dependendo das condições do mercado.

Além disso, a taxa real elevada pode indicar que o mercado está precificando riscos maiores, como descontrole fiscal ou recessão. “Não adianta ter 8% se a inflação disparar e corroer o ganho real”, pondera Dalto.

Comparação com outras opções

Para quem busca segurança e proteção contra a inflação, o IPCA+ é uma boa escolha. Mas existem alternativas, como CDBs e LCIs que pagam IPCA + 6% ou 7%, com liquidez diária. Nesses casos, a diferença de 1 ou 2 pontos percentuais pode não compensar o risco de marcação a mercado dos títulos públicos.

Outro ponto é a tributação: o Tesouro IPCA+ segue a tabela regressiva do Imposto de Renda, que começa em 22,5% e cai para 15% após dois anos. Já as LCIs e LCAs são isentas de IR para pessoas físicas, o que pode tornar o ganho líquido superior mesmo com taxas menores.

Conclusão

O IPCA+8% é uma oportunidade, mas não deve ser o único critério. O investidor precisa alinhar o prazo, a liquidez e a tolerância ao risco. Para quem tem horizonte de longo prazo e não pretende mexer no dinheiro, a taxa atual é histórica. Para quem precisa de flexibilidade, talvez valha mais a pena buscar alternativas com liquidez diária e isenção fiscal.

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