Seis europeus nas quartas; Brasil fora e Argentina resiste
Seis europeus nas quartas; Brasil fora e Argentina resiste

Seis países europeus estão entre as oito seleções nas quartas de final da Copa do Mundo. Pela segunda edição consecutiva, o domínio do continente é evidente: das oito classificadas, seis são da Europa. A ausência do Brasil, eliminado nas oitavas pela Noruega, quebra uma sequência que durava desde 1994, quando o país passou a chegar pelo menos às quartas. Desde 2006, porém, o Brasil sempre caiu diante de europeus em fases eliminatórias.

Desempenho sul-americano é o pior desde 2002

A decepção não é apenas brasileira. Esta é a pior campanha de países sul-americanos em uma Copa desde 2002. Das quatro vagas nas oitavas, três seleções foram eliminadas por europeus. Apenas a Argentina, atual campeã, segue viva. “É onde está o dinheiro. Onde estão os maiores investidores, os melhores jogadores. As grandes ligas ainda se concentram dentro da Europa. Então, é até natural que eles sejam os grandes protagonistas nesse momento da Copa”, afirma o comentarista Caio Ribeiro.

Marrocos tenta quebrar hegemonia

Além da Argentina, Marrocos também tenta desafiar o protagonismo europeu. Pela segunda Copa seguida, a seleção marroquina se consolida como a maior potência africana no futebol. No entanto, o domínio europeu é tão forte que, independentemente dos resultados, duas seleções europeias já estão garantidas nas semifinais. A próxima fase pode ser 100% europeia se Argentina e Marrocos forem eliminados.

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Hegemonia de duas décadas

A supremacia europeia dura duas décadas. Das últimas cinco Copas, seleções europeias venceram quatro. “Acho que o jogador europeu consegue controlar melhor a parte mental do jogo, não tem um desequilíbrio emocional na partida. Acho que os sul-americanos, principalmente os sul-americanos, são mais passionais e, dependendo do resultado, começam a perder o jogo na parte psicológica”, diz o comentarista Roger Flores.

Argentina aposta em Messi e na paixão

Paixão é o que não falta para os argentinos, mas eles têm mostrado equilíbrio e força emocional para superar momentos de pressão. Agora, vão enfrentar a Suíça nas quartas. Lionel Messi já provou que conhece o caminho para derrotar europeus. O comentarista Denílson analisa a consolidação europeia: “Eu acho que eles não perderam o DNA deles, a identidade, o que eles construíram ao longo desse processo de futebol europeu. Quando a gente vê duas seleções sul-americanas só na Copa do Mundo... Enfim, o Brasil constantemente estava nessa fase, a Argentina também. Hoje, só a Argentina, porque a Argentina voltou a jogar como Argentina. O futebol argentino, aguerrido, lutando até pela última bola. Eu acho que o Brasil precisa resgatar um pouquinho isso para a gente ir um pouquinho mais longe nas Copas do Mundo.”

Resgatar a tradição, não copiar o modelo

Renata Vasconcellos questiona se, para fazer frente à consolidação europeia, não basta copiar o modelo de preparação física, estrutura e tática. Denílson responde: “Exatamente isso, Renata. A gente precisa de alguma forma resgatar essa alegria de jogar futebol. O profissionalismo, a gente sempre teve, a gente sempre foi comprometido e sempre fomos apaixonados pelo futebol. Só que eu acho que a gente está copiando muito, imitando muito o futebol europeu. Acho que a gente precisa resgatar um pouco do nosso DNA e da nossa alegria.”

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