Muricy critica falta de identidade e vê Ancelotti capaz de reconstruir Seleção
Muricy: falta identidade, mas Ancelotti pode reconstruir

O ex-técnico Muricy Ramalho afirmou que a eliminação da seleção brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo expôs a perda de identidade do futebol nacional. Em palestra no curso de treinadores do futebol amador de Campinas, ele defendeu que Carlo Ancelotti precisa de mais tempo para entender a essência do jogo brasileiro e acredita que o italiano pode corrigir a rota até a Copa de 2030.

Crítica à postura reativa

Muricy reprovou a atuação do Brasil na derrota por 2 a 1 para a Noruega, destacando que a equipe ficou atrás da bola e não propôs o jogo, algo que destoa da tradição brasileira. “Nenhum brasileiro gostou do que o Brasil jogou contra a Noruega. Brasil nunca ficou atrás da bola, sempre propôs no jogo, mandou no jogo, sendo agressivo. Foi um futebol totalmente diferente nessa Copa”, disse.

Ancelotti e a identidade brasileira

O ex-treinador ponderou que Ancelotti teve pouco tempo de trabalho antes do Mundial, mas acredita que ele poderá recuperar as características históricas da Seleção. “Ele conhece os nossos jogadores que jogam na Europa, mas não conhece muito bem nossa identidade. Agora nesse ciclo ele vai sentir o que é o brasileiro”, afirmou. Muricy também destacou que a torcida e os profissionais do futebol não gostaram da atuação, mas entendem o contexto.

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Problema na base

Para Muricy, a reconstrução da Seleção passa por mudanças estruturais na formação de jogadores, especialmente em posições carentes como laterais e meias. “Estamos falhando na base também. É onde temos que procurar jogadores, laterais que não temos, meio-campistas que não existem mais, principalmente número 10. Esse trabalho começa na base, e o Ancelotti tem que participar disso”, explicou.

Neymar e o fim de uma era

Muricy comentou a decisão de Neymar de encerrar o ciclo na Seleção, lembrando que trabalharam juntos no Santos, onde conquistaram a Libertadores de 2011. “Fui jogador também. Chega um momento em que a gente mesmo se toca. Conheço muito bem o Neymar, foi meu jogador durante dois anos no Santos. Sempre precisou muito do físico, chega num momento, ainda mais no futebol de hoje, com intensidade e parte física, começam as contusões. É aquele negócio: a cabeça funciona, mas o corpo não obedece”, disse.

Reconstrução para 2030

Muricy acredita que Ancelotti tem um grande desafio para preparar uma nova geração que alie técnica, disciplina tática e espírito vencedor. “Vai ser trabalho duro do Ancelotti para reconstruir uma Seleção, buscar valores. Esses caras que estão parando são jogadores de experiência, acostumados com Copa e jogos decisivos. Vai ter que fazer uma nova safra”, afirmou. Ele também citou a Argentina como exemplo de superação: “A Argentina, por exemplo, quis muito. A gente ficou devendo um pouco nesse sentido. Vai ter todo esse trabalho. Não será fácil.”

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