Ibovespa fecha estável, na contramão de emergentes, com perdas em Vale e Petrobras
Ibovespa estável com perdas em Vale e Petrobras

O Ibovespa fechou praticamente estável nesta segunda-feira (3), aos 128.500 pontos, com leve alta de 0,05%, na contramão do movimento de queda observado em outros mercados emergentes. A sessão foi marcada por perdas expressivas em Vale e Petrobras, que pressionaram o índice, mas que foram compensadas pela valorização de ações de bancos e do setor varejista.

Desempenho do Ibovespa e contexto global

Enquanto o Ibovespa oscilou perto da estabilidade, índices de referência em países como México, Coreia do Sul e Taiwan registraram quedas superiores a 1%, refletindo um dia negativo para ativos de risco em mercados emergentes. A diferença no desempenho local, segundo analistas, deveu-se à composição do índice brasileiro, que tem forte peso de setores domésticos, menos sensíveis ao cenário externo.

O volume financeiro negociado na B3 somou R$ 18,6 bilhões, abaixo da média diária de R$ 21 bilhões observada no último mês, indicando cautela por parte dos investidores.

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Queda de Vale e Petrobras

As ações ordinárias da Vale (VALE3) recuaram 1,8%, cotadas a R$ 68,40, acompanhando a desvalorização do minério de ferro no mercado internacional. O minério com teor de 62% de ferro negociado no porto chinês de Qingdao caiu 2,1%, para US$ 104,30 por tonelada, pressionado por dados fracos de atividade industrial na China, que mostraram contração pelo terceiro mês consecutivo.

Já a Petrobras (PETR4) caiu 1,2%, para R$ 36,70, com o petróleo Brent recuando 1,5% para US$ 74,20 o barril, após a Arábia Saudita reduzir os preços de exportação para a Ásia, sinalizando preocupação com a demanda global.

Segundo o estrategista-chefe de uma corretora local, que preferiu não se identificar, "a combinação de minério em queda e petróleo em baixa é um peso para o Ibovespa, mas a diversificação do índice ajudou a evitar uma queda maior".

Bancos e varejo sustentam índice

No lado positivo, as ações de bancos tiveram desempenho forte: Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 1,4%, Bradesco (BBDC4) avançou 1,1% e Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 0,9%. O setor foi impulsionado pela expectativa de que o Banco Central mantenha a taxa Selic em 15,75% ao ano na próxima reunião, o que tende a manter as margens dos bancos em níveis elevados.

O varejo também teve dia positivo: Magazine Luiza (MGLU3) saltou 3,2%, Lojas Americanas (AMER3) subiu 2,5% e Via (VIIA3) avançou 1,9%. Investidores reagiram à notícia de que o governo estuda ampliar o programa de crédito consignado para trabalhadores do setor privado, o que pode impulsionar as vendas a prazo.

Perspectivas para os próximos dias

O mercado agora aguarda a divulgação do IPCA de julho, previsto para a próxima sexta-feira, que deve influenciar as expectativas para a política monetária. A mediana das projeções coletadas pelo Valor Data indica alta de 0,30% no mês, o que levaria o acumulado em 12 meses a 5,10%.

Além disso, investidores acompanham a temporada de balanços do segundo trimestre, com destaque para os resultados de grandes empresas como Ambev e JBS, que serão divulgados ao longo da semana.

No cenário internacional, a atenção se volta para os dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que saem na quinta-feira, e podem influenciar a decisão do Federal Reserve sobre juros na próxima reunião.

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