O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta a maior crise de seus dez anos no comando da entidade. Com a oposição à sua permanência no cargo crescendo, o dirigente suíço tenta demonstrar força exibindo uma lista de apoiadores composta, em sua maioria, por países não democráticos e com pouca tradição no futebol.
Pressão interna e externa
Nos bastidores, a insatisfação com a gestão de Infantino aumentou significativamente, especialmente após as polêmicas envolvendo a organização da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, e as denúncias de favorecimento a empresas ligadas a dirigentes. A pressão também vem de federações europeias, que questionam a transparência e a governança da Fifa.
Segundo fontes ligadas à entidade, a lista de apoio divulgada por Infantino inclui nações como Rússia, Catar, Arábia Saudita e várias repúblicas da Ásia Central e da África, onde regimes autoritários ou semidemocráticos são comuns. Esses países, embora tenham peso político nas votações da Fifa, não representam as principais forças do futebol mundial em termos de tradição e desenvolvimento esportivo.
Apoio estratégico
Para analistas, a estratégia de Infantino é clara: consolidar o apoio de blocos que historicamente votam de forma coesa em troca de benefícios como sediar competições e receber investimentos. "O apoio desses países é crucial para Infantino, pois eles controlam um número significativo de votos nas eleições da Fifa", afirma o cientista político especializado em esportes, Carlos Mendes.
Dados recentes mostram que, dos 211 países filiados à Fifa, cerca de 60% estão na África, Ásia e Oceania, regiões onde a influência de Infantino é mais forte. Embora a maioria desses países tenha pouca expressão no cenário futebolístico, seu peso nos votos é decisivo para a permanência do suíço no cargo.
Reações e críticas
A divulgação da lista gerou críticas de entidades de defesa dos direitos humanos e de ex-jogadores, que veem na atitude de Infantino uma tentativa de se perpetuar no poder. "É um desrespeito com o futebol e com os valores que a Fifa deveria representar", declarou o ex-atacante brasileiro Ronaldo, em entrevista recente.
Por outro lado, representantes dos países apoiadores defendem Infantino, citando o aumento da participação de seleções menores em competições internacionais e os investimentos em infraestrutura esportiva. "Infantino tem um projeto sólido para o futebol mundial, e estamos ao lado dele", disse o presidente da federação de futebol de um país africano, que preferiu não se identificar.
Futuro incerto
Apesar do apoio declarado, a situação de Infantino ainda é delicada. A possibilidade de uma candidatura de oposição, liderada por dirigentes europeus, ganha força. As eleições estão previstas para 2027, mas uma moção de desconfiança pode ser apresentada antes.
Enquanto isso, Infantino segue em campanha, visitando federações e reforçando alianças. "Vamos trabalhar juntos para fazer do futebol um esporte ainda mais global e inclusivo", afirmou o dirigente em seu discurso mais recente, tentando minimizar a crise.
O desfecho dessa disputa dependerá do equilíbrio de forças dentro da Fifa, onde o apoio de países não democráticos pode ser a chave para a sobrevivência política de Infantino.



