A crise na Fifa ganha novo capítulo com a crescente pressão sobre o presidente Gianni Infantino. Após a reação da Uefa, federações da América do Norte, Central e Caribe discutem a possibilidade de revogar as cartas de apoio ao dirigente, o que pode ampliar a instabilidade política na entidade máxima do futebol mundial.
Pressão sobre Infantino aumenta
Nos bastidores, dirigentes dessas regiões avaliam retirar o respaldo dado a Infantino, que enfrenta questionamentos sobre sua gestão e decisões recentes. A movimentação ocorre em um momento delicado, em que a Fifa tenta equilibrar interesses de diferentes confederações.
Segundo fontes próximas às discussões, a insatisfação cresceu após a postura da Uefa, que já havia demonstrado descontentamento com alguns encaminhamentos da entidade. Agora, as federações das Américas consideram seguir o mesmo caminho, o que enfraqueceria ainda mais a base de apoio do presidente.
Possível revogação de apoio
A revogação das cartas de apoio seria um gesto simbólico, mas com grande impacto político. Na prática, sinalizaria a perda de confiança de importantes blocos regionais na liderança de Infantino, abrindo espaço para uma eventual disputa interna na próxima eleição da Fifa.
Dirigentes ouvidos reservadamente afirmam que a decisão não é imediata, mas está em pauta nas reuniões regionais. A América do Norte, Central e Caribe representam um número significativo de votos no cenário eleitoral da entidade, o que torna o movimento ainda mais relevante.
Reação da Uefa como catalisador
A reação da Uefa foi o estopim para que outras confederações repensassem seu posicionamento. A entidade europeia tem demonstrado insatisfação com a agenda de Infantino, especialmente em relação ao calendário internacional e à distribuição de receitas.
Especialistas apontam que a crise atual é a mais séria desde que Infantino assumiu a presidência, em 2016. Apesar de ter sido reeleito sem concorrentes em 2019 e 2023, a oposição interna agora parece mais organizada e disposta a agir.
Impacto na governança do futebol
Uma eventual perda de apoio das Américas poderia paralisar decisões importantes na Fifa, como reformas administrativas e a definição de sedes de futuros torneios. Além disso, criaria um ambiente de incerteza para patrocinadores e parceiros comerciais.
Até o momento, a Fifa não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. A assessoria de Infantino limita-se a dizer que o presidente mantém diálogo aberto com todas as confederações e que sua prioridade é o desenvolvimento do futebol global.
Números e declarações
Vale lembrar que, recentemente, Infantino afirmou que o novo Mundial de Clubes gerou mais de R$ 10 bilhões em receitas, um dos principais argumentos para justificar sua gestão. No entanto, críticos questionam a transparência desses números e a distribuição dos recursos.
“A pressão sobre Infantino é real e as federações das Américas estão avaliando seriamente rever seu apoio”, disse um dirigente, sob condição de anonimato. “A decisão pode sair nas próximas semanas, dependendo das respostas da Fifa às demandas regionais.”
Próximos passos
As federações devem se reunir nos próximos dias para discutir o tema e definir uma posição conjunta. Caso a revogação seja formalizada, Infantino enfrentaria um cenário de isolamento sem precedentes, com possíveis reflexos na próxima assembleia da entidade.
A crise também reacende o debate sobre a governança da Fifa e a necessidade de maior equilíbrio de poder entre as confederações. Enquanto isso, o futebol mundial observa atento aos desdobramentos, que podem redesenhar o mapa político da entidade máxima do esporte.



