Quatro botos cinzas foram avistados nadando nas águas cristalinas da Praia Remanso dos Botos, em Itaguatins, região norte do Tocantins, em um ritual de acasalamento. O flagrante foi feito pelo fotógrafo Fabiano Vieira, de 36 anos, natural da cidade, que registrou a cena com um drone no dia 3 de junho, no final da tarde, próximo ao pôr do sol, perto de uma formação de rochas na beira d'água.
No vídeo, é possível observar os animais interagindo entre si em um processo de cortejo que inclui uma "dança amorosa" e mordidas. Fabiano destacou a raridade de encontrar os botos em uma área tão rasa. "Aqui todo registro é emocionante, e gravar eles foi maravilhoso, encantador. Estava com um colega e ele 'tá bom de gravar, vai encher a memória do drone' e eu 'não menino, isso aqui é raro' e continuei gravando", relatou.
Fabiano, que perdeu a conta de quantas vezes encontrou botos no Rio Tocantins, na região do Bico do Papagaio, afirma que o local é deles. "Sempre estiveram presentes. Aquele lugar é deles. A gravação ficou nítida porque eles estavam perto e saíam da água brincando entre si. Foi muito legal. Eles estavam perto da margem. É raro ficarem lá", disse.
Corte para acasalamento
A bióloga e presidente do Instituto Araguaia, Silvana Campello, explica que o comportamento é típico de corte para acasalamento, com o objetivo de atrair a fêmea. O ritual pode incluir danças, vocalizações, exibição de cores vibrantes, construção de ninhos e oferta de alimentos. Os machos podem aplicar mordidas suaves ou imobilizações segurando a fêmea pelo pescoço ou nadadeiras, como visto no vídeo, para estimular ou apaziguar a resistência. "Nesse vídeo tem um boto que usa o bico se arremetendo sobre um outro, pode ser um gesto de acasalamento. Outros botos costumam ficar perto do casal na hora do acasalamento; isso é normal", afirma.
A bióloga Beatriz Vasconcelos relata que os botos podem estar acostumados com a presença e movimentação de pessoas, o que explicaria por que permaneceram em uma área rasa perto da margem. "São animais muito simpáticos e curiosos, então não representam medo e se adaptam bem aos humanos, especialmente acompanhando barcos de pesca", diz.
O ambientalista da Associação de Preservação Botos da Amazônia, Rosaldo Santos, complementa que é comum, nesta época do ano, a migração dos animais para a reprodução. "Temos alguns machos cortejando uma fêmea aí. O boto da bacia Araguaia Tocantins costuma viver em grupos, e nesta época do ano os machos fazem a migração para a reprodução, evitando o cruzamento familiar. Uma cena de namoro", explica.



