O confronto entre Inglaterra e Argentina na Copa do Mundo reacende uma rivalidade que transcende o esporte. A origem da tensão está na disputa pela soberania das Ilhas Malvinas (Falklands para os britânicos), arquipélago a menos de 500 km da América do Sul, administrado pelo Reino Unido desde 1833, mas reivindicado pela Argentina.
Guerra das Malvinas em 1982
Em 1982, a ditadura militar argentina invadiu as ilhas para fortalecer o nacionalismo e ganhar apoio popular em meio à crise. O Reino Unido respondeu com uma operação militar que enviou mais de 28 mil combatentes ao arquipélago. A guerra terminou com vitória britânica; a derrota acelerou o desgaste da ditadura argentina, enquanto no Reino Unido fortaleceu a primeira-ministra Margaret Thatcher, reeleita meses depois.
Futebol como palco da rivalidade
Quatro anos após a guerra, nas quartas de final da Copa de 1986, no Estádio Azteca, Argentina e Inglaterra protagonizaram um dos jogos mais emblemáticos. Diego Maradona marcou dois gols históricos: a "Mão de Deus" e o "Gol do Século". Desde então, cada encontro carrega peso simbólico. A Argentina eliminou os ingleses nos pênaltis em 1998; a Inglaterra venceu na fase de grupos de 2002.
Antes do novo duelo, o técnico argentino Lionel Scaloni minimizou o contexto histórico, afirmando que é "apenas um jogo de futebol". Entre torcedores, a rivalidade persiste: na Argentina, cânticos remetem aos confrontos passados; na Inglaterra, a confiança na equipe se mistura à expectativa de enfrentar Lionel Messi, e o lema "It's coming home" ecoa, lembrando que o país é berço do futebol moderno.



