Faltam pouco menos de dois anos para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, e o arremessador de peso Darlan Romani carrega no corpo as marcas de uma longa batalha: sete parafusos na coluna, resultado de duas cirurgias que o tiraram das Olimpíadas de Paris. Agora, de volta às competições, ele tem um objetivo claro: conquistar a medalha olímpica que prometeu ao pai, falecido em 2012.
Retorno às pistas após cirurgias
No início de julho de 2025, Darlan disputou o Campeonato Paulista Adulto de atletismo, sua primeira prova oficial desde 2024. Em entrevista ao ge, ele celebrou a recuperação: "Estou com zero dor. Graças a Deus, da minha coluna, eu estou zerado. Nunca mais senti nada. Não senti fisgado, não senti desconforto". Apesar de sentir limitação de mobilidade devido à vértebra travada, ele afirma que isso não atrapalha os treinos.
No Paulista, Darlan atingiu 19,83 m, ainda distante de seu recorde pessoal e sul-americano de 22,61 m. "Eu ainda estou terminando o período de força para entrar no período especial de velocidade. A gente está com um volume alto de treino", explicou. A participação também garantiu índice para o Troféu Brasil de Atletismo, que ocorre entre 23 e 26 de julho no Estádio Ícaro de Castro Mello, em São Paulo.
Desafios físicos e mentais
Além da recuperação física, Darlan enfrentou batalhas psicológicas. "No começo, dá bastante medo. Quando você é atleta, você vive do esporte. Eu tenho uma esposa, tenho duas filhas, uma casa, como é que eu vou seguir com isso?", revelou. Ele contou com o apoio da família, médicos e do comitê olímpico para superar a insegurança.
Campeão mundial indoor em 2022, Darlan ficou perto do pódio olímpico duas vezes: quinto no Rio 2016 e quarto em Tóquio 2021. Aos 37 anos em 2028, ele espera cumprir a promessa feita ao pai Moacir, que o incentivou no esporte até morrer em um acidente. "Eu fiz uma promessa para ele lá quando fui sair de casa, pra começar a minha vida de atleta. E eu prometi pra ele uma medalha olímpica. Esse é o meu objetivo para estar de pé e treinando novamente", afirmou.
As cirurgias na coluna
Darlan operou a coluna pela primeira vez em 2021, antes de Tóquio, para tratar uma hérnia de disco. Em 2024, dias antes de Paris, uma recidiva na hérnia nas vértebras L4 e L5 o tirou da competição. Após o retorno ao Brasil, ele passou por uma cirurgia de artrodese lombar em 18 de fevereiro de 2025, que durou cinco horas e incluiu a colocação de sete parafusos na coluna. As dores persistiram, e ele precisou de um terceiro procedimento para sanar o problema de forma definitiva.
Em entrevista ao ge e sportv em junho de 2025, Darlan relembrou a dor de assistir à prova olímpica de casa: "Assistindo a prova, como foi, sentado em casa. Eu chorei do começo ao fim vendo a prova do peso". Agora, com o corpo e a mente recuperados, ele foca em Los Angeles 2028 para realizar o sonho da medalha olímpica.



