Alckmin critica tarifa americana e aponta superávit dos EUA
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou nesta quinta-feira (16) como 'injusta e descabida' a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em coletiva de imprensa, Alckmin afirmou que os dados comerciais dos últimos 15 anos mostram superávit americano na balança com o Brasil, tornando a medida sem fundamento. 'É injusta porque se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos, os Estados Unidos teve conosco superávit na balança comercial. E descabida porque os argumentos levantados na Seção 301 não têm base, são totalmente falsos. Não há menor justificativa', declarou.
USTR confirma tarifaço com exceções; vigência em 22 de julho
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a proposta de nova tarifa de 25% sobre uma ampla gama de itens brasileiros, mas com uma extensa lista de produtos isentos, como carne bovina e café. A medida, resultado de uma investigação de um ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, entra em vigor em 22 de julho. Segundo o USTR, a investigação concluiu que 'várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos'.
Argumentos dos EUA incluem PIX, corrupção e desmatamento
O USTR listou os motivos para a tarifa, incluindo: o sistema de pagamentos PIX, corrupção no Brasil, ações do STF contra big techs, tratamento injusto na política tarifária brasileira, proteção inadequada à propriedade intelectual, tarifas sobre o etanol e desmatamento. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as acusações 'não têm justificativa e lastro com a realidade' e têm 'motivação política'.
Governo brasileiro reage e cogita retaliação
O Palácio do Planalto emitiu nota classificando a decisão como 'um marco lastimável' na relação bilateral e anunciou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes contra os EUA. O governo sustenta que as acusações são infundadas e que tentou, ao longo do último ano, reverter a investigação e evitar as tarifas. A Lei da Reciprocidade funciona como um mecanismo de retaliação: se um país impõe sanções ou barreiras unilaterais consideradas injustas, o Brasil pode adotar restrições semelhantes para reequilibrar as relações comerciais.



