Aos 61 anos, Welia Maia está prestes a se aposentar do ramo da moda, onde trabalhou por 27 anos, e aposta em uma nova carreira na gastronomia. Ela é uma das alunas da Escola de Gastronomia Social, localizada no bairro Cais do Porto, em Fortaleza, que oferece cursos gratuitos voltados à cultura alimentar e ao fortalecimento do turismo no Ceará.
“Eu acho que a gente tem que estar sempre disposto a aprender. A gente tá na vida, os anos vão se passando, e a gente vai aprendendo cada vez mais, adquirindo experiência. Então eu acho que nunca é tarde para ser feliz”, comenta Welia, que pretende inicialmente aprender novas receitas para a família, mas já recebe incentivos de amigas chefs para atuar profissionalmente.
Impacto da escola no turismo gastronômico
Segundo Selene Penaforte, superintendente da escola, o equipamento público impacta o cenário da gastronomia local ao aliar formação técnica à discussão sobre cultura alimentar e técnicas tradicionais. “Quando a gente tem um profissional em um restaurante, num hotel, numa barraca de praia, que sabe falar daquilo que ele tá servindo, sabe contextualizar de onde é que vem aquele insumo, seja o nosso peixe, a nossa macaxeira, o camarão, o nosso baião de dois, tudo isso dentro de um contexto histórico de memórias, de história, de tradição… Isso é muito importante também para você se colocar como um diferencial [no mercado]”, afirma Selene.
Dados da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico mostram que Fortaleza possui mais de 25 mil empresas ligadas ao turismo, das quais 64% atuam na produção de alimentos. Nos últimos dez anos, o número de negócios voltados ao turismo gastronômico cresceu 348%, evidenciando o potencial do mercado para profissionais capacitados.
Formação técnica e tendências do setor
Em 2025, mais de 4,3 mil pessoas participaram das formações da escola. Entre janeiro e junho de 2026, 1,6 mil alunos concluíram cursos que abrangem gastronomia, empreendedorismo e marketing. O professor Antônio Moscatto destaca que o conteúdo busca aliar-se às tendências do setor: “O aluno precisa despertar primeiro o querer [para se destacar no mercado]. Depois, estudar muito. E quando eu falo de estudar, não somente a questão prática, mas principalmente a questão teórica.”
As aulas incluem modalidades como cozinha contemporânea, internacional, light e diet, além de especializações em culinária francesa, italiana e oriental. A formação do gosto e o aprendizado de técnicas profissionais são fundamentais para a qualificação dos alunos.
Histórias de sucesso
Luiz Alfredo, chefe de um bar em Fortaleza, é exemplo de quem alavancou a carreira com capacitações. “Se eu não tivesse procurado me capacitar, talvez hoje eu não estaria aqui. As mais diversas capacitações e especializações que a gente consegue fazer abrem portas naturais pra gente poder evoluir dentro do mercado, como um idioma novo que você aprende, até um curso mesmo de serviço”, relata. Ele começou a trabalhar em uma época com menos ofertas de formação e hoje vê as escolas e estabelecimentos oferecendo cursos específicos, que também ensinam controle emocional, gestão financeira e relações interpessoais.



