Agenda do dia: Estoques de petróleo nos EUA no foco
Agenda: Estoques de petróleo nos EUA no foco

Os mercados financeiros globais voltam suas atenções nesta quarta-feira para a divulgação dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, que podem sinalizar a direção dos preços da commodity e influenciar as expectativas de inflação. O relatório do Departamento de Energia americano (DoE) é aguardado para as 11h30 (horário de Brasília), com projeção de queda de 1,2 milhão de barris nos estoques de petróleo bruto, segundo consenso de analistas. Caso a redução se confirme, pode reforçar a percepção de aperto na oferta global, elevando os preços do barril e pressionando as cadeias produtivas.

Decisões de juros na mira

Além do petróleo, os investidores acompanham as decisões de política monetária de bancos centrais. O Federal Reserve (Fed) dos EUA divulga sua ata da última reunião, que pode trazer pistas sobre os próximos passos dos juros americanos. No Brasil, o mercado aguarda a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana, mas já precifica possíveis cortes na Selic. Segundo o economista-chefe de um banco de investimentos, "a desaceleração da inflação global abre espaço para afrouxamento monetário, mas a volatilidade dos preços de energia é um risco".

Indicadores econômicos no radar

Na agenda doméstica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, divulgado pelo IBGE, mostrou alta de 0,21%, acumulando 4,23% em 12 meses. O número ficou ligeiramente abaixo das expectativas, reforçando a tese de que a inflação está sob controle. No entanto, a variação dos preços de combustíveis, diretamente ligada ao petróleo, pode reverter essa tendência. "Se os estoques americanos caírem mais que o previsto, o petróleo pode subir e pressionar a gasolina no Brasil, impactando o IPCA", alerta um analista de mercado.

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Impactos no câmbio e na bolsa

O dólar opera em leve alta ante o real, cotado a R$ 5,12, com investidores cautelosos antes dos dados de petróleo. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) abriu em queda de 0,3%, com o Ibovespa aos 125 mil pontos, influenciada pelo exterior. As ações de petroleiras, como Petrobras, sobem 0,8% na expectativa de preços mais altos do barril. O mercado de juros futuros também reage, com a taxa do DI para janeiro de 2027 subindo 0,02 ponto percentual, para 11,45% ao ano.

Perspectivas para o restante da semana

Na quinta-feira, o destaque fica por conta dos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA e dos dados de vendas no varejo no Brasil. Na sexta, o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan pode dar mais direção aos mercados. A combinação de dados de atividade e inflação definirá o tom para os ativos de risco. "O cenário é de cautela, mas com oportunidades para quem aposta em commodities", conclui o economista.

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