A recente desaceleração da inflação, medida pelo IPC-Fipe e outros indicadores, reacendeu as expectativas de que o Banco Central possa promover um novo corte na taxa Selic ainda este ano. A pergunta que domina o mercado é: será o último do ano?
Cenário inflacionário favorável
O IPC-Fipe registrou queda de 0,03% em junho, surpreendendo o mercado que esperava alta. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 3,60%, abaixo do centro da meta. Além disso, a produção industrial brasileira caiu 1,8% em junho, frustrando projeções e reforçando a tese de desaceleração econômica.
Esses dados, somados à queda nos preços dos semicondutores e fertilizantes, criam um ambiente propício para que o Copom continue o ciclo de afrouxamento monetário. O mercado futuro já precifica uma probabilidade significativa de corte na próxima reunião.
Impactos para investidores
Um corte na Selic tende a beneficiar ativos de renda variável, como ações e fundos imobiliários, além de reduzir a atratividade da renda fixa pós-fixada. Segundo analistas do Bradesco BBI, a Bolsa brasileira está atrativa, com o Ibovespa operando a múltiplos baixos em relação à média histórica.
Por outro lado, o movimento pode pressionar o câmbio, embora o dólar opere perto da estabilidade. A atenção do mercado está voltada para o Oriente Médio e para a política monetária dos EUA.
O que esperar do Copom?
Especialistas divergem sobre a magnitude e a continuidade dos cortes. Alguns acreditam que o Banco Central possa reduzir a Selic em 0,50 ponto percentual na próxima reunião, enquanto outros veem espaço para cortes adicionais até o fim do ano. A ata do Copom e os comentários dos diretores serão cruciais para calibrar as expectativas.
"A inflação sob controle e a atividade fraca dão margem para o Banco Central ser mais ousado", afirma um gestor de renda fixa, que preferiu não ser identificado. "Mas é preciso cautela com o cenário externo."
Recomendações de investimento
Diante desse cenário, especialistas recomendam atenção a ações de empresas domésticas, como varejo e construção civil, que se beneficiam da queda dos juros. Fundos imobiliários também tendem a se valorizar. Para a renda fixa, títulos prefixados com duration mais longa podem ser boas opções para travar taxas atuais.
No entanto, é importante lembrar que o cenário pode mudar rapidamente, especialmente com as eleições presidenciais e eventos geopolíticos. O investidor deve manter a diversificação e buscar orientação profissional.



