Indústria cai 1,8% em junho, maior queda para o mês desde 2014
Indústria cai 1,8% em junho, maior queda desde 2014

A produção industrial brasileira registrou queda de 1,8% em junho na comparação com maio, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o pior resultado para o mês de junho desde 2014, evidenciando a desaceleração do setor.

Resultado abaixo das expectativas

O recuo veio em linha com as projeções de analistas, que esperavam uma retração entre 1% e 2%. Apesar disso, o número reforça a perda de dinamismo da indústria, que enfrenta custos elevados e juros altos.

Com o resultado de junho, a indústria brasileira está 15,2% abaixo do pico da série histórica, registrado em maio de 2011. Em relação ao período pré-pandemia, o setor opera 1,8% acima do nível de fevereiro de 2020.

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Impacto sobre o PIB e o mercado de trabalho

A queda na produção industrial tende a impactar o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, uma vez que a indústria é um dos principais motores da economia. Especialistas ouvidos pelo Valor projetam que o setor pode ter contribuição negativa no período, o que pode levar a um crescimento menor do que o esperado.

Além disso, a retração pode afetar o emprego formal, já que a indústria é responsável por uma parcela significativa dos postos de trabalho com carteira assinada. Em junho, o setor empregava cerca de 9,5 milhões de trabalhadores, segundo dados do CAGED.

O que explica a queda?

Entre os fatores que explicam o desempenho negativo estão o encarecimento do crédito, a alta dos custos de produção e a desaceleração da demanda interna. A indústria também sofre com a concorrência de produtos importados, especialmente da China, que segue com preços competitivos.

O IBGE destacou que a queda foi disseminada entre as grandes categorias econômicas, com destaque para bens de capital, que recuaram 3,2%, e bens intermediários, com baixa de 2,1%. Bens de consumo duráveis também caíram, mas em menor intensidade.

Perspectivas para o segundo semestre

Para o segundo semestre, as perspectivas são de recuperação gradual, mas com riscos. A redução da taxa Selic, iniciada em agosto, pode aliviar as condições financeiras das empresas e estimular novos investimentos. No entanto, a incerteza fiscal e a desaceleração da economia global ainda preocupam.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo está atento aos dados e que medidas de estímulo podem ser adotadas caso a atividade continue fraca. "Vamos acompanhar os próximos meses e, se necessário, tomaremos medidas para apoiar a retomada", disse.

Analistas do mercado financeiro, por sua vez, mantêm cautela. "A indústria ainda não encontrou um piso claro, e a recuperação deve ser lenta, dependendo da evolução do cenário externo e da política monetária", avalia Carlos Lopes, economista-chefe de uma consultoria.

Comparação com anos anteriores

Historicamente, junho costuma ser um mês de atividade mais fraca, mas a queda deste ano foi a mais intensa desde 2014, quando a produção recuou 2,4%. Nos últimos dez anos, o mês de junho apresentou variações positivas em apenas quatro ocasiões, o que indica uma tendência de sazonalidade negativa.

Apesar disso, o nível atual da indústria ainda é superior ao observado no auge da crise de 2015-2016, quando o setor acumulava quedas consecutivas. A recuperação gradual, no entanto, tem sido insuficiente para devolver à indústria a participação no PIB que tinha no passado.

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