Itaú BBA: Petrobras pode sofrer menos que Prio com queda do petróleo
Petrobras pode sofrer menos que Prio, diz Itaú BBA

O Itaú BBA mantém uma visão positiva para a Petrobras (PETR4) e espera um forte resultado no segundo trimestre de 2026. Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (10), Monique Greco, analista líder de óleo e gás do banco, detalhou as expectativas para o setor petrolífero.

Resultados do segundo trimestre

Segundo Greco, o mercado projeta que os ganhos com a comercialização de petróleo tenham um peso maior no balanço da Petrobras no segundo trimestre, contribuindo positivamente para os resultados. Além disso, os investidores aguardam os impactos dos subsídios anunciados pelo governo federal para o setor de combustíveis, bem como os reflexos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Na avaliação da analista, a combinação desses fatores tende a favorecer o desempenho da empresa. “Deve ser um trimestre forte”, afirmou.

Preços e subsídios

O Itaú BBA estima que os preços praticados pela Petrobras estão atualmente cerca de 15% abaixo do preço de paridade de exportação (EPP) para a gasolina e 14% abaixo do preço de paridade de importação (IPP) para o diesel. O banco pondera, porém, que a companhia pode avaliar os parâmetros de sua estratégia comercial de forma diferente das premissas utilizadas na análise.

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No caso do diesel, a comparação considera um preço de refinaria de R$ 3,30 por litro, ante uma paridade de importação de R$ 3,83 por litro. Contudo, ao incluir os subsídios que a Petrobras tem a receber do governo federal, o preço efetivamente realizado pela companhia passa a ficar acima da paridade de importação.

Já na gasolina, mesmo considerando o subsídio, o preço efetivo continua abaixo da paridade de exportação. “O subsídio ajudou, mas ainda existe espaço para a Petrobras promover um reajuste de preços”, avalia Greco.

Para a analista, o modelo de subsídio adotado pelo governo teve um efeito positivo para a estatal. “Esse é um tema que os investidores acompanham de perto e verificam se está convergindo para um lugar certo para a Petrobras”, afirma.

Resiliência e crescimento

Além da questão dos preços, Greco mantém uma visão positiva sobre o potencial de crescimento e a resiliência operacional da Petrobras. Segundo a analista, o capex da companhia é sólido mesmo em cenários de forte queda do petróleo: caso a commodity recue para US$ 45 por barril, 100% dos projetos previstos no plano de investimentos continuariam economicamente viáveis. Mesmo em um cenário mais adverso, com o barril a US$ 35, cerca de 75% dos projetos ainda fariam sentido do ponto de vista econômico.

Preferência por Petrobras em relação à Prio

O BBA mantém preferência pela Petrobras em relação à Prio (PRIO3). O banco projeta uma resolução do conflito do Oriente Médio ainda em 2026, fator que pode pressionar o preço do petróleo e se refletir na cotação das ações do setor. “Nesse cenário, a Petrobras pode se machucar menos do que a Prio”, destaca Greco. De acordo com a analista, isso acontece porque a Prio tem uma exposição mais direta ao petróleo do que a estatal. Foi por esse motivo que PRIO3 subiu mais até agora em 2026, acumulando valorização de 50%, enquanto PETR3 e PETR4 avançaram 48,29% e 39,03%, respectivamente.

Mesmo com a potencial queda do petróleo, Greco ainda vê um cenário com preços mais altos do que os estimados no começo deste ano. “Antes, as teses de investimento das petroleiras eram avaliadas com base em um petróleo a US$ 60 por barril. Mesmo que haja uma correção nos preços, continuamos analisando essas empresas sob a ótica de um petróleo estruturalmente mais alto do que o observado anteriormente”, afirma. Ou seja, de acordo com a analista, o preço deve voltar a subir, mas estacionar em um patamar mais alto — convicção, segundo ela, compartilhada pelos investidores estrangeiros.

Projeções de preço

O Itaú BBA trabalha com um cenário-base em que o barril do petróleo termine 2026 cotado a US$ 85 por barril, recuando para US$ 75 por barril ao final de 2027. Essa projeção considera que o conflito no Oriente Médio se encerre ainda este ano. “O ponto importante é como será o equilíbrio do mercado após o fim desse conflito”, diz Laura Pitta, economista do Itaú Unibanco.

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Os preços do petróleo ganharam força nesta quarta-feira (10) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer na rede Truth Social que o Irã “demorou muito” para negociar um acordo e agora terá que “pagar o preço”. Às 13h (de Brasília), o WTI para julho subia 3,13% a US$ 90,96 o barril, enquanto o Brent para agosto avançava 2,69% a US$ 93,91 o barril.