Lula retorna ao Rio para reconquistar terreno perdido para bolsonarismo
Lula no Rio: estratégia para recuperar apoio político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca novamente no Rio de Janeiro em uma ofensiva política para reconquistar territórios que foram dominados pelo bolsonarismo nas últimas eleições. A visita, marcada para esta semana, inclui compromissos nos bairros do Andaraí e em Niterói, com forte expectativa de que o prefeito Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do estado, acompanhe o presidente em parte da agenda.

Empate técnico nas pesquisas

Segundo o mais recente levantamento eleitoral, divulgado no fim de julho, Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro — representado no estado por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL) — aparecem em empate técnico na preferência do eleitorado fluminense. A pesquisa, realizada por instituto de renome, mostra que a disputa no Rio está acirrada, com diferença dentro da margem de erro.

O cenário representa um desafio para Lula, que em 2002 teve no Rio seu melhor desempenho eleitoral. Desde então, o estado tem oscilado entre petistas e bolsonaristas, mas nos últimos anos a direita consolidou força, especialmente na região metropolitana e no interior.

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Estratégia de reconquista

A estratégia da campanha de Lula para 2026 prevê uma presença mais intensa no Rio de Janeiro, com visitas frequentes e anúncios de investimentos federais. O presidente já esteve no estado em maio e junho, e a nova agenda reforça o compromisso de ampliar a base de apoio.

Eduardo Paes, que busca o governo do estado, é um aliado importante nesse esforço. Prefeito do Rio por três mandatos, Paes tem trânsito tanto entre eleitores de centro quanto entre setores do centro-direita, e sua aproximação com Lula visa, segundo analistas, atrair votos que migraram para o bolsonarismo.

Eventos no Andaraí e Niterói

Na capital, Lula participará de um ato político no Andaraí, bairro da Zona Norte, tradicional reduto de eleitores de esquerda. Em Niterói, cidade governada pelo PT, o presidente deve anunciar obras de infraestrutura e defender a retomada de programas sociais.

A escolha dos locais não é aleatória. O Andaraí concentra uma base sindical e popular que Lula precisa consolidar, enquanto Niterói é uma vitrine da gestão petista e pode servir de exemplo para a campanha.

Desafios no estado

Apesar dos esforços, Lula enfrenta resistência em áreas onde o bolsonarismo fincou raízes, como a Zona Oeste do Rio e cidades da Baixada Fluminense. A pesquisa mostra que Flávio Bolsonaro mantém vantagem nesses redutos, onde o discurso de segurança pública e antipetismo ressoa forte.

Para reverter o quadro, a equipe de Lula aposta em uma combinação de presença frequente, anúncios de investimentos e a força de Eduardo Paes como cabo eleitoral. O prefeito, que já governou o Rio em aliança com partidos de direita, tenta ser a ponte para reconquistar o eleitorado moderado.

A visita ao Rio acontece em um momento em que a campanha presidencial ainda não entrou no horário eleitoral gratuito, previsto para agosto. Por isso, os contatos diretos com o eleitorado ganham importância estratégica. Lula deve voltar ao estado ainda em agosto e setembro, de acordo com fontes da campanha.

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