O ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh recusou-se a comentar sobre a possibilidade de substituir Jerome Powell na presidência do banco central dos Estados Unidos, caso Donald Trump vença as eleições presidenciais de 2024. Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, Warsh afirmou que não iria especular sobre cenários hipotéticos, mas deixou claro que está insatisfeito com as métricas de inflação atualmente utilizadas pelo Fed.
Críticas às métricas de inflação
Warsh disse que o Fed precisa revisar seus indicadores de inflação, que têm se mostrado defasados e imprecisos. Segundo ele, o núcleo do PCE (índice de preços de gastos com consumo) não reflete adequadamente a pressão inflacionária real sobre a economia. "Estou insatisfeito com as métricas de inflação que temos. Elas nos levaram a erros de política monetária no passado e continuam a nos enganar", afirmou. O ex-diretor defendeu a adoção de medidas mais amplas, que incluam preços de ativos e custos de habitação.
Impacto na política monetária
As declarações de Warsh ocorrem em um momento em que o Fed enfrenta críticas por não ter agido mais cedo para conter a inflação, que atingiu 9,1% em junho de 2022, o maior nível em 40 anos. Desde então, o banco central elevou os juros em 525 pontos-base, mas a inflação ainda está acima da meta de 2%. Warsh argumentou que a dependência excessiva do núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, pode ter subestimado a persistência inflacionária. "Se você olhar para a inflação de serviços, ainda está muito alta", destacou.
Relação com Trump
Questionado sobre se aceitaria o cargo de presidente do Fed em um eventual governo Trump, Warsh desconversou. "Não vou entrar nessa discussão. Meu foco é discutir políticas, não pessoas", disse. Trump, que já indicou que não renovaria o mandato de Powell, tem Warsh como um dos possíveis substitutos. Warsh serviu no Fed de 2006 a 2011, durante a crise financeira, e é atualmente professor na Universidade Stanford.
Reações do mercado
Analistas de mercado interpretaram as críticas de Warsh como um sinal de que o Fed pode precisar manter os juros altos por mais tempo. "A insatisfação com as métricas de inflação sugere que o Fed pode estar subestimando a inflação real, o que exigiria uma política mais restritiva", comentou o economista-chefe do banco Nomura, Rob Subbaraman. As declarações ocorrem antes da reunião do Fed em setembro, quando o mercado espera um novo corte de juros.



