Tarifaço nos EUA: impacto menor com isenções ampliadas; entenda
Tarifaço nos EUA: impacto menor com isenções ampliadas

O governo dos Estados Unidos anunciou um tarifaço de 25% sobre diversos produtos brasileiros, mas o impacto pode ser menor do que o inicialmente previsto. Isso porque a lista de produtos isentos foi ampliada, abrangendo itens como aço, alumínio e semicondutores, entre outros. A medida, que entrou em vigor nesta quinta-feira, gerou reações imediatas no Brasil.

Governo brasileiro aciona Lei de Reciprocidade

O governo brasileiro anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade, que permite a adoção de medidas comerciais retaliatórias contra países que impõem barreiras injustificadas. A decisão foi tomada após reunião de emergência entre os ministérios da Economia, Relações Exteriores e Agricultura. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, “a Lei de Reciprocidade é um instrumento legítimo para defender os interesses do Brasil no comércio internacional”.

Lista de isentos e justificativa

A lista de produtos isentos da nova tarifa inclui itens considerados essenciais para a indústria americana, como componentes eletrônicos e matérias-primas. A justificativa do governo americano é evitar desabastecimento e aumento de custos para as empresas locais. No entanto, setores como o de calçados e têxteis brasileiros foram duramente atingidos, com tarifas de 25% que podem reduzir as exportações em até 15%, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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Fiesp critica postura do governo federal

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço “se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado”. Em nota, a entidade disse que “a falta de uma estratégia comercial clara e de acordos bilaterais deixou o Brasil vulnerável a medidas unilaterais”. A Fiesp também pediu que o governo acelere as negociações para um acordo de livre comércio com os EUA.

Impacto no varejo e no mercado de trabalho

O tarifaço pode ter efeitos indiretos no varejo brasileiro, que já enfrenta desafios com vendas fracas. Em maio, as vendas no varejo avançaram apenas 0,1%, frustrando as projeções do mercado. Economistas alertam que a redução das exportações para os EUA pode levar a cortes de empregos em setores dependentes do mercado americano. “Cada ponto percentual de queda nas exportações pode significar milhares de postos de trabalho perdidos”, afirmou a economista-chefe do Banco ABC Brasil, Carla Argenta.

Reações políticas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o assunto em um evento, dizendo que “é triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”. Já o senador Flávio Bolsonaro comparou o presidente Lula ao ex-presidente americano Joe Biden, afirmando que o Brasil é um “avião sem piloto”. As declarações acirraram o debate político sobre a condução da política externa brasileira.

Mercados financeiros reagem

No mercado financeiro, o Ibovespa operou volátil, com investidores avaliando os impactos do tarifaço. As ações da B3, Oncoclínicas e Totvs estavam entre as mais negociadas. O dólar comercial subiu 0,8%, cotado a R$ 5,45, refletindo a aversão ao risco. Analistas recomendam cautela, mas veem oportunidades em setores menos expostos ao comércio exterior.

O governo brasileiro prometeu medidas de apoio aos setores afetados, incluindo linhas de crédito especiais e incentivos fiscais. A expectativa é que as negociações com os EUA avancem nas próximas semanas, com a possibilidade de redução das tarifas em troca de concessões brasileiras em áreas como propriedade intelectual e serviços.

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