A receita real do setor de serviços brasileiro caiu 0,4% em maio na comparação mensal, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada nesta quarta-feira (15) pelo IBGE. O resultado frustrou as expectativas do mercado, que projetava leve alta de 0,1%, e foi pior que a previsão da XP (-0,2%). No entanto, revisões para cima nos três meses anteriores e o bom desempenho de segmentos como Serviços Prestados às Famílias levaram economistas a manter projeções de crescimento moderado para o restante do ano.
Composição benigna e revisões positivas
Para Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, economistas da XP, a composição da PMS de maio foi benigna para o PIB de Serviços. "Transportes e Armazenagem, que trouxeram resultados fracos no mês, pesam pouco nas Contas Nacionais Trimestrais. Por outro lado, Serviços Prestados às Famílias e, principalmente, Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares vieram fortes", comentaram. As revisões para cima nos três meses anteriores (alta de 0,2 ponto percentual em cada um, na comparação anual) também foram destacadas. "Portanto, embora o dado de maio tenha surpreendido negativamente, o efeito acumulado das revisões recentes é positivo para o setor de serviços em 2026", escreveram, apontando que o carry-over estatístico para o 2º trimestre ficou em 0,2%.
Serviços às famílias seguem resilientes
Os economistas ressaltaram que os "Serviços Prestados às Famílias" continuaram mostrando números encorajadores — alta anual de 3,1% e mensal de 0,2%. "Essa categoria ainda se beneficia de um mercado de trabalho resiliente e dos ganhos de renda real das famílias, embora o alto custo do serviço da dívida siga limitando uma recuperação mais forte do consumo discricionário", explicaram. Do lado negativo, os serviços de "Transportes, Armazenagem e Correio" recuaram 1% no mês e 4,2% na comparação anual, subtraindo 1,5 ponto percentual do crescimento anual do índice cheio.
Perspectiva de crescimento moderado
No geral, Margato e Maluf veem crescimento moderado do setor de serviços à frente. "Por um lado, o mercado de trabalho permanece apertado, e um conjunto amplo de medidas de estímulo deve sustentar a demanda das famílias no curto prazo. Por outro, os juros elevados e o aumento do peso do serviço da dívida das famílias seguem como ventos contrários importantes, limitando uma expansão mais robusta das despesas com serviços", analisaram. O XP Tracker para o crescimento do PIB no 2º trimestre avançou ligeiramente, de 0,49% para 0,51%, na comparação trimestral, mas a expectativa para 2026 permanece em 2,0%.
Desaceleração gradual, sem recessão
Leonardo Costa, economista do ASA, afirmou que o resultado de maio reforça a leitura de desaceleração gradual. "Apesar da elevada volatilidade recente dos dados marginais, com queda expressiva em março, recuperação forte em abril e novo recuo em maio, a tendência subjacente parece apontar para pequena desaceleração ao longo do segundo trimestre", previu. O ASA segue projetando expansão de 0,5% do PIB no segundo trimestre, abaixo do ritmo do primeiro trimestre.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, avaliou que o dado mostrou um cenário mais frágil que o esperado. "O menor ímpeto do consumo de serviços por parte das famílias impactou indiretamente o comportamento de outros grupos, como no caso dos serviços de transporte, que recuaram 1% na medição de maio, resultado mais que suficiente para dissipar o crescimento de 0,9% do mês anterior", comparou. Ele ponderou que a PMS de maio foi um dos períodos mais afetados pela rápida escalada da inflação e corrosão da confiança dos consumidores. "Neste sentido, a inflação ainda elevada nos setores de combustível e, principalmente, alimentação, parecem ter proporcionado um balanceamento da cesta de consumo das famílias em direção a itens essenciais, como os alimentos, e forte redução do consumo de serviços", disse. O PicPay mantém projeção de crescimento de 0,4% para o PIB do segundo trimestre e 1,7% para 2026.
Moderação, mas com suporte do mercado de trabalho
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, comentou que os dados recentes mostram que o setor de serviços está registrando alguma moderação, permanecendo mais próximo da estabilidade. "Na média móvel dos três meses até maio, o setor acumula leve queda de 0,1% ante o trimestre até abril." Ela destacou que o mercado de trabalho aquecido, a expansão da renda dos trabalhadores e as medidas de estímulo ao crédito adotadas pelo governo podem oferecer algum suporte ao setor ao longo de 2026. "A economia brasileira continua dando sinais de desaceleração gradual. Mesmo com os cortes na Selic neste ano, os juros continuam elevados e contribuindo para frear a atividade. Não esperamos, contudo, uma perda de fôlego mais intensa, uma vez que o mercado de trabalho sólido, o crescimento da renda média e as medidas promovidas pelo governo têm ajudado a sustentar a economia. Nossa projeção é de que o PIB cresça 1,7% em 2026", estimou.



