A produção industrial do Brasil caiu 1,8% em junho na comparação com maio, frustrando as expectativas do mercado, que previa uma queda menor, de 0,6%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (4).
Resultado abaixo do esperado
A queda de junho interrompe uma sequência de dois meses de alta, mas o setor ainda acumula crescimento de 2,6% no primeiro semestre de 2025. Na comparação com junho do ano anterior, a produção avançou 1,0%, também abaixo do esperado (2,1%).
O resultado negativo foi puxado principalmente pela indústria de transformação, que recuou 2,0% no mês. Outras categorias, como indústrias extrativas, tiveram queda de 0,4%, enquanto a construção civil apresentou alta de 0,3%.
Impacto na economia
A produção industrial é um indicador importante do PIB, e a queda inesperada pode influenciar as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic. Com a inflação em desaceleração, o Copom deve iniciar um ciclo de cortes na próxima reunião, mas o ritmo pode ser afetado por dados mais fracos da atividade.
Segundo analistas, a retração de junho reflete a desaceleração global e a alta dos juros no Brasil, que encarecem o crédito e reduzem a demanda. No entanto, o desempenho do semestre ainda é positivo, o que indica que a indústria não está em recessão.
Reação do mercado
O mercado financeiro reagiu com cautela aos dados. O Ibovespa futuro abriu em alta, mas a projeção de juros mais baixos pode beneficiar setores como varejo e construção. O dólar opera perto da estabilidade, com investidores monitorando o cenário externo.
Para o economista-chefe de uma corretora, o resultado de junho é um alerta, mas não muda a trajetória de recuperação gradual da indústria. "A queda foi pontual, e a tendência para o segundo semestre ainda é de crescimento", afirma.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa do governo é que a indústria continue crescendo, impulsionada pela safra recorde e pela retomada de investimentos em infraestrutura. No entanto, a incerteza fiscal e a desaceleração da China podem pressionar o setor nos próximos meses.
O IBGE também revisou os dados de maio, que passaram de alta de 0,3% para alta de 0,4%. Com isso, o acumulado do ano ficou em 2,6%, acima da média histórica.



