O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a nova estimativa da produção agrícola do Amapá para 2026. O levantamento indica crescimento da área plantada de açaí, cultura de grande peso econômico e cultural no estado, mas também aponta queda na produtividade da mandioca, afetada por pragas e com impacto direto no preço da farinha.
Segundo o pesquisador Raul Tabajara, do IBGE, a produção manejada de açaí foi o destaque, rendendo cerca de 70 milhões de reais em 2025, contra 11 milhões da produção extrativista. No ano passado, foram mais de 22 mil toneladas de açaí em áreas plantadas e manejadas, enquanto a produção extrativa somou 3,6 mil toneladas. Isso mostra o impacto do manejo técnico na produtividade e na renda.
Apesar da produção ser suficiente para abastecer o estado, boa parte do açaí é exportada. Por isso, quase 45% do consumo local vem das ilhas do Marajó, no Pará. Já a mandioca, base da produção de farinha no Amapá, enfrenta dificuldades com a praga conhecida como “Vassoura-de-bruxa”, que reduziu a produtividade de até 12 toneladas por hectare para cerca de 7 toneladas. Mesmo com a queda, não houve falta de farinha no mercado, mas o consumidor pagou mais caro.
Além do açaí e da mandioca, o IBGE aponta recuperação da soja no estado. A área plantada, que já chegou a 20 mil hectares e caiu para 7 mil, deve alcançar 12 mil hectares em 2026. A produção de leite e mel também cresceu, mas enfrenta barreiras sanitárias. Parte do leite não chega ao mercado porque os produtores não têm estrutura adequada para atender às exigências de vigilância, segundo Raul.



