Farmaervas tem falência decretada pela Justiça
Farmaervas tem falência decretada pela Justiça

A Justiça de São Paulo decretou a falência da Farmaervas, uma das maiores redes de farmácias do país, em decisão proferida na última segunda-feira (3). A empresa, que chegou a operar mais de 500 lojas em 12 estados, acumulava dívidas estimadas em R$ 1,2 bilhão. A sentença, assinada pela juíza Maria Rita de Cássia, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, determina a liquidação imediata dos ativos da companhia.

Histórico de crise e tentativas de recuperação

A Farmaervas vinha enfrentando dificuldades financeiras desde 2020, agravadas pela pandemia e pela concorrência de grandes redes. Em 2023, a empresa ingressou com pedido de recuperação judicial, que foi aceito pela Justiça. No entanto, o plano de recuperação apresentado não foi cumprido, e os credores relataram atrasos nos pagamentos.

Em junho deste ano, a empresa pediu a conversão da recuperação judicial em falência, admitindo a impossibilidade de reestruturação. Segundo o administrador judicial, a Farmaervas não apresentou garantias de viabilidade e acumulou prejuízos de R$ 300 milhões somente no último exercício.

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Impacto para credores e funcionários

A decisão afeta diretamente cerca de 8 mil funcionários, que devem ser desligados em até 60 dias. Os credores, que incluem bancos, fornecedores e inquilinos, terão 15 dias úteis para habilitar seus créditos. O total de passivos trabalhistas é estimado em R$ 150 milhões.

Especialistas apontam que a falência da Farmaervas reflete a consolidação do setor farmacêutico, com grandes grupos ganhando participação de mercado. "A empresa não conseguiu se adaptar às novas dinâmicas de preço e logística", afirma o consultor de varejo Carlos Nogueira. "A falência é um desfecho triste, mas previsível", completa.

Próximos passos legais

Agora, o administrador judicial terá 180 dias para apresentar o quadro geral de credores e o laudo de avaliação dos ativos. A venda dos bens será feita em leilão eletrônico, com preferência para ofertas que preservem empregos. A juíza também determinou a suspensão de todas as ações contra a empresa, que serão processadas no juízo universal da falência.

Em nota, o Sindicato dos Comerciários de São Paulo lamentou a decisão e anunciou que buscará garantir o pagamento das verbas rescisórias. A Farmaervas não se manifestou até a publicação desta reportagem.

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