Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira, enquanto as bolsas da Ásia fecharam sem direção única, repercutindo o rali de Wall Street na véspera e a divulgação de dados econômicos mistos na região.
Petróleo em alta: Brent e WTI avançam
O barril do Brent para outubro subia 1,2%, cotado a US$ 86,50, enquanto o WTI para setembro avançava 1,1%, para US$ 83,20, por volta das 7h (horário de Brasília). O movimento reflete a expectativa de redução da oferta por parte da Opep+ e a demanda aquecida nos Estados Unidos, maior consumidor mundial da commodity.
Segundo analistas do Goldman Sachs, a demanda global por petróleo deve crescer 1,5 milhão de barris por dia em 2026, impulsionada pelo setor de aviação e pelo transporte rodoviário. "O mercado continua apertado, com estoques abaixo da média sazonal", afirmou a equipe do banco em nota a clientes.
Bolsas asiáticas: Tóquio em alta, Xangai e Hong Kong em queda
No Japão, o Nikkei 225 fechou em alta de 0,8%, a 39.240 pontos, impulsionado por ações de tecnologia e exportadoras, após o iene se estabilizar ante o dólar. Já na China, o Xangai Composto recuou 0,3%, para 3.520 pontos, e o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,5%, para 24.800 pontos, pressionados por dados fracos de atividade industrial.
O índice de gerentes de compras (PMI) industrial da China, divulgado na segunda-feira, veio abaixo do esperado, indicando contração pelo terceiro mês consecutivo. "A recuperação chinesa ainda é frágil, e o mercado aguarda novos estímulos do governo", comentou Zhang Wei, estrategista do China International Capital Corporation.
Wall Street em rali: S&P 500 e Nasdaq renovam máximas
Na véspera, as bolsas de Nova York fecharam em alta, com o S&P 500 e o Nasdaq renovando recordes de fechamento, impulsionados por resultados trimestrais fortes de grandes empresas de tecnologia e pela expectativa de que o Federal Reserve possa iniciar cortes de juros em setembro.
O índice Dow Jones subiu 0,3%, o S&P 500 avançou 0,5% e o Nasdaq ganhou 0,8%. O rali foi liderado por ações de semicondutores e de inteligência artificial, com a Nvidia subindo 2,3% e a AMD, 1,9%.
Impacto nos mercados emergentes e no Brasil
A alta do petróleo tende a beneficiar as ações da Petrobras e de outras petroleiras listadas na B3, mas pode pressionar a inflação e o câmbio em países importadores. No Brasil, o mercado observa o comportamento do Ibovespa, que deve abrir em leve alta, acompanhando o exterior.
Segundo economistas do Banco Original, o cenário externo segue favorável a ativos de risco, mas a atenção se volta para a reunião do Copom na próxima semana, que deve manter a Selic em 10,5% ao ano. "A desancoragem das expectativas de inflação é o principal risco para o mercado doméstico", afirmou a equipe em relatório.
Commodities e moedas
Além do petróleo, o minério de ferro subiu 1,5% na bolsa de Dalian, para US$ 120 a tonelada, após dados de importação da China virem melhores que o esperado. O cobre, por sua vez, avançou 0,8% em Londres.
No câmbio, o dólar operava em queda ante a maioria das moedas emergentes, com o yuan se fortalecendo após o banco central chinês fixar uma taxa de referência mais forte. O índice DXY, que mede a moeda americana ante uma cesta de pares, recuava 0,2%.
Perspectivas para os próximos dias
Os investidores aguardam a ata do Federal Reserve, que será divulgada na quarta-feira, e os dados de emprego dos Estados Unidos, na sexta-feira, para calibrar as apostas sobre o ritmo de cortes de juros. Na Ásia, a agenda inclui a decisão de política monetária do Banco do Japão, na quinta-feira.
"O mercado está precificando cerca de 75 pontos-base de cortes até o fim do ano, mas os dados podem mudar esse cenário", disse Maria Silva, economista-chefe da XP Investimentos. "Se o payroll vier forte, o Fed pode adotar uma postura mais cautelosa."
No Japão, o BoJ deve manter a taxa básica em 0,1%, mas pode sinalizar uma nova alta no futuro, o que afetaria o iene e as ações de exportadoras. Na China, o foco está em possíveis medidas de estímulo fiscal para impulsionar o consumo.



