Ouro sobe com sinais de diplomacia entre EUA e Irã
Ouro sobe com sinais de diplomacia entre EUA e Irã

O ouro registrou forte avanço nesta terça-feira, 4 de agosto, impulsionado por sinais de diplomacia entre os Estados Unidos e o Irã, que reduziram a aversão ao risco e fortaleceram a demanda pelo metal precioso como porto seguro. O contrato futuro do ouro com entrega em dezembro subiu 1,8%, fechando a US$ 2.045,30 por onça-troy na Comex, em Nova York.

Contexto geopolítico e impacto nos preços

A movimentação ocorre em meio a relatos de que autoridades americanas e iranianas retomaram conversas indiretas sobre o programa nuclear iraniano, aumentando as expectativas de um acordo que poderia aliviar as tensões no Oriente Médio. Essa perspectiva reduziu a procura por dólar e títulos do Tesouro americano, tradicionalmente considerados refúgios, e beneficiou o ouro, que passou a atrair investidores em busca de diversificação.

Segundo analistas do Commerzbank, a alta do ouro reflete não apenas o cenário geopolítico, mas também a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) possa adotar uma postura mais branda em relação aos juros, diante de dados econômicos mistos nos EUA. "O ouro está sendo impulsionado pela combinação de menor risco geopolítico e pela perspectiva de uma política monetária menos restritiva", afirmou Carsten Fritsch, analista de commodities do Commerzbank.

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Desempenho do ouro e outros metais

Além do contrato de dezembro, o ouro à vista também avançou, com alta de 1,6%, negociado a US$ 2.038,40 por onça. Outros metais preciosos acompanharam o movimento: a prata subiu 2,3%, para US$ 24,85 por onça, enquanto a platina avançou 1,1%, para US$ 1.120,00. O paládio, por sua vez, registrou ganho de 1,5%, para US$ 1.980,00 por onça.

O fortalecimento do ouro também foi influenciado pela queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, que recuaram para 3,8%, após atingirem 3,9% na sessão anterior. Esse movimento torna o ouro mais atraente, já que o metal não paga juros.

Perspectivas e expectativas de mercado

Especialistas apontam que o ouro pode continuar a se valorizar se as conversas entre EUA e Irã avançarem, mas alertam que qualquer interrupção nas negociações pode reverter o cenário. "O mercado está de olho nos desdobramentos diplomáticos. Se houver um acordo, o ouro pode sustentar os ganhos, mas se as conversas fracassarem, a volatilidade deve aumentar", disse Fritsch.

Além disso, os investidores aguardam a divulgação de novos dados econômicos nos EUA, como o relatório de empregos de julho, que pode influenciar a decisão do Fed sobre os juros. Uma leitura mais fraca pode reforçar a expectativa de cortes, o que tenderia a impulsionar ainda mais o ouro.

No acumulado do ano, o ouro já acumula alta de aproximadamente 12%, impulsionado pela demanda de bancos centrais e pela incerteza econômica global. Com o cenário atual, analistas projetam que o metal pode testar o patamar de US$ 2.100 por onça nas próximas semanas, caso as condições macroeconômicas e geopolíticas permaneçam favoráveis.

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